- Em Markarian 501, galáxia a cerca de 500 milhões de anos-luz, dois buracos negros supermassivos podem colidir em menos de um século.
- Cada buraco negro tem entre 100 milhões e 1 bilhão de massas solares e orbitam-se a cada aproximadamente 121 dias, com separação estimada entre 250 e 540 vezes a distância Terra–Sol.
- Observações com o Very Long Baseline Array exibiram dois jatos emergindo do núcleo da galáxia, sugerindo a presença de dois buracos negros.
- A fusão deve gerar ondas gravitacionais altamente poderosas, potencialmente detectáveis na Terra por meio de redes de observação com pulsares (Pulsar Timing Arrays).
- O estudo foi liderado pelo Instituto Max Planck de Radioastronomia e publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
Dois buracos negros supermassivos na galáxia Markarian 501, a cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra, podem colidir em pouco mais de um século. A possível fusão ocorreria no coração da galáxia, impulsionada pela aproximação orbital dos dois gigantes. A descoberta é resultado de observações detalhadas e simulações.
A equipe internacional de astrônomos, liderada pelo Instituto Max Planck de Radioastronomia, analisou dados de mais de duas décadas. O estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. O objetivo é entender como esses buracos negros crescem e se fundem.
Detalhes observacionais
O jato previamente conhecido na galáxia não explica a caminha de emissão registrada ao longo dos anos. Análises com o Very Long Baseline Array indicaram um segundo jato emergindo do núcleo, sugerindo dois buracos negros ativos. Cada objeto manteria massas entre 100 milhões e 1 bilhão de massas solares.
Estimativas apontam que os dois buracos negros orbitam-se a cada cerca de 121 dias, com separação entre 250 e 540 vezes a distância Terra-Sol. A perda de energia por ondas gravitacionais faz a órbita encolher progressivamente, aproximando-os do encontro final.
Implicações da fusão
Os pesquisadores calculam que a fusão final pode ocorrer em aproximadamente um século, em termos cósmicos. O evento geraria ondas gravitacionais extremamente potentes, capazes de atravessar o Universo. Observatórios terrestres poderão detectar esse choque cósmico.
Para monitorar o fenômeno, projetos de pulsar timing arrays acompanham pulsares extremamente estáveis. Diferenças nos tempos de chegada dos sinais podem indicar a passagem de ondas gravitacionais antes da fusão.
Perspectivas e relevância
O sistema de Markarian 501 já era conhecido por abrigar um blazar, núcleo galáctico ativo com jatos. A presença de dois jatos simultâneos reforça a hipótese de dois buracos negros em órbita próxima. A pesquisa oferece uma oportunidade rara de observar os últimos passos da aproximação orbital.
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