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O microbioma intestinal pode indicar risco de Parkinson, dizem cientistas

Mudanças no microbioma intestinal podem indicar risco de doença de Parkinson em pessoas com suscetibilidade genética, apontando detecção precoce e novas terapias

The signature changes to the microbiome could help doctors spot patients at risk of Parkinson’s years before they display clear symptoms.
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  • Pesquisadores identificaram uma assinatura no microbioma intestinal que pode indicar maior risco de doença de Parkinson anos antes de surgirem os sintomas, principalmente em pessoas com predisposição genética.
  • A assinatura fica mais evidente em quem tem Parkinson e também aparece em uma parcela de pessoas saudáveis com risco genético, sugerindo possibilidade de detectar o risco antecipadamente.
  • O estudo analisou dados clínicos e de fezes de 271 pacientes com Parkinson, 43 com gene de risco, sem sintomas, e 150 saudáveis; a verificação incluiu 638 pessoas com Parkinson e 319 controles de Reino Unido, Coreia do Sul e Turquia.
  • Mais de 176 espécies de micróbios apresentaram diferenças naqueles com Parkinson em relação ao grupo saudável; as mudanças não foram causadas pela medicação.
  • A relação entre microbioma e Parkinson pode envolver a produção de alfa-sinucleína e inflamação intestinal; mudanças na dieta para moldar o microbioma poderiam prevenir ou atrasar a doença, de acordo com os pesquisadores.

O microbioma intestinal pode indicar risco de Parkinson, dizem cientistas. Estudos mostram alterações na comunidade de microrganismos que são mais acentuadas em pessoas com predisposição genética. A assinatura ficou mais evidente em indivíduos já diagnosticados com a doença.

Pesquisadores da University College London analisaram dados clínicos e de fezes de 271 pacientes com Parkinson, 43 portadores de gene de risco sem sintomas e 150 voluntários saudáveis. Os resultados apontam que a presença de mais de 176 espécies distintas varia entre pacientes e controle.

A análise corroborou-se com dados adicionais de 638 pacientes com Parkinson e 319 controles de Reino Unido, Coreia do Sul e Turquia. Em parte da população sem doença, a assinatura microbiana também foi observada, sugerindo possível risco futuro. Os resultados foram publicados na Nature Medicine.

A equipe não define se o microbioma causa ou resulta da doença, mas aponta que alterações podem modular a produção de alpha-sinucleína, proteína associada à neurodegeneração. A via envolve inflamação na parede intestinal e passagem pela via vaga até o cérebro.

Segundo os cientistas, mudanças no microbioma podem ocorrer antes dos sintomas clínicos, oferecendo janela para prevenção ou atraso do Parkinson com intervenções dietéticas ou terapias que reformulem a microbiota. Dieta com menos ultraprocessados e gorduras saturadas aparece associada às assinaturas anormais.

Anthony Schapira, pesquisador-chefe de neurociências clínicas na UCL, afirma que o achado é inédito ao vincular vulnerabilidade genética a um perfil microbiano presente em estágio pré-sintomático. Ele ressalta que a assinatura tende a se intensificar conforme a doença avança.

Parkinson’s afeta mais de 8,5 milhões de pessoas globalmente e envolve morte de neurônios na região dopaminérgica do cérebro, levando a tremores, lentidão e rigidez. Não há cura, mas tratamentos farmacológicos e terapias físicas ajudam a manejar sintomas.

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