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Revisão de estudos aponta baixa eficácia de fármacos contra Alzheimer

Revisão diz que drogas anti-amilóides para Alzheimer têm benefício mínimo; debate persiste sobre método e eficácia individual das terapias

Montagem de um exame cerebral mostrando demência/Alzheimer em estágio inicial.
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  • Revisão da Cochrane analisou dados de 17 estudos clínicos sobre sete drogas anti-amilóides e concluiu que o efeito é trivial ou nulo em Alzheimer.
  • Foram avaliados dados de cerca de 20 mil pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve; efeito cognitivo e gravidade da demência não mostraram ganhos significativos, e a melhoria funcional foi pequena, no máximo.
  • Além da eficácia dúbia, os fármacos apresentaram efeitos adversos, como inchaços cerebrais e pequenos sangramentos, cujas consequências a longo prazo ainda são incertas.
  • Há controvérrias sobre a metodologia da análise, com críticas de especialistas que dizem que drogas diferentes foram agrupadas como se tivessem efeito similar, sem considerar particularidades entre elas.
  • Na prática regulatória, dois medicamentos — lecanemabe (Leqembi) e donanemabe (Kisunla) — já recebem aval regulatório em alguns lugares; outros, como aducanumab (Aduhelm), geraram debates e foram descontinuados ou não chegaram a aprovação, dependendo da região.

O que foi publicado indica que vários medicamentos usados no tratamento do Alzheimer teriam eficácia limitada. A revisão analisa dados de 17 estudos clínicos envolvendo sete tipos de anti-amilóides, fármacos que visam reduzir placas de beta-amiloide no cérebro. A definição de efeito foi de trivial a nulo, especialmente nos domínios cognitivo e da gravidade da demência.

A diabetes de pacientes, com cerca de 20 mil indivíduos em estágios iniciais da doença, serviu de base para a avaliação. Os autores apontam melhora pequena na capacidade funcional em cenários de menor gravidade, mas sem impacto robusto na função cognitiva. O estudo soma evidências de que o benefício clínico seria mínimo para a maioria dos pacientes.

Dois fármacos, lecanemabe e donanemabe, já contam com aprovação regulatória em várias jurisdições. O conjunto de dados analisado incluiu tanto moléculas já aprovadas quanto aquelas que não alcançaram aprovação, o que gerou críticas sobre a metodologia empregada.

Controvérsias e leituras divergentes

Especialistas contestam a abordagem de agrupar terapias distintas sob a etiqueta única de anti-amilóides. Para eles, diferentes drogas atuam de maneiras distintas e devem ser avaliadas separadamente. A leitura divergente aponta que atrasos no declínio podem, em alguns casos, ter valor significativo para pacientes e familiares.

Nos Estados Unidos, quatro fármacos — bapineuzumab, crenezumab, gantenerumab e solanezumab — não foram submetidos à aprovação pela FDA. Lecanemabe e donanemabe, comercializados como Leqembi e Kisunla, receberam autorização regulatória, com estudos usados pela FDA entre 2023 e 2024.

O aducanumab, outra droga da classe, gerou controvérsia após aprovação condicional pela FDA em 2021, sem publicação de um estudo de eficácia revisado por pares na época. A indústria interrompeu a produção do fármaco em 2024, citando falta de evidência de benefício e risco de edema e hemorragias.

A fabricante do donanemabe, a Eli Lilly, rebate a revisão ao classificar a análise como metodologia falha. A empresa sustenta que unir dados de moléculas com desempenho distinto distorce o benefício observado e não reflete a evidência de cada terapia aprovada.

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