- Um estudo com 105 salmões jovens,no Lago Vättern, Suécia, avaliou os efeitos da cocaína e de seu metabólito benzoilecgonina em peixes mantidos em cativeiro e soltos.
- Os peixes foram divididos em três grupos: expostos à cocaína, expostos ao metabólito e controle; todos receberam implantes de liberação lenta e foram monitorados por telemetria por oito semanas.
- Em comparação ao grupo de controle, os peixes expostos à droga apresentaram maior atividade, nadando distâncias maiores ao longo do tempo.
- O grupo exposto à benzoilecgonina mostrou o maior efeito: até 1,9 vezes mais nado por semana e dispersão de até 12,3 quilômetros além do ponto de liberação.
- Os cientistas ressaltam potenciais impactos ecológicos, como alterações na alimentação e nas interações com predadores, devido a mudanças no movimento dos peixes, associadas à presença de resíduos humanos na água.
A pesquisa avaliou o impacto da poluição por cocaína na fauna aquática, com foco no salmão do Atlântico. Doze semanas antes, 105 salmões jovens criados em cativeiro foram soltos no Lago Vättern, na Suécia, em três grupos de estudo: exposição à cocaína, exposição ao metabólito benzoilecgonina e um grupo de controle. Implantes de liberação lenta e telemetria acompanharam os movimentos por oito semanas.
Cada grupo recebeu substâncias liberadas no ambiente de forma controlada, para analisar mudanças de comportamento. Ao longo do experimento, os peixes do grupo de controle reduziram a atividade e tornaram-se mais sedentários, ao contrário dos expostos às substâncias químicas, que mantiveram maior mobilidade.
O grupo exposto à benzoilecgonina apresentou o maior efeito. Esses salmões nadaram 1,9 vez mais por semana que os não expostos e dispersaram-se até 12,3 quilômetros além do ponto de liberação. Os resultados indicam alterações significativas no padrão de deslocamento.
Metodologia e principais resultados
Os dados mostram que o movimento dos salmões é central para o funcionamento dos ecossistemas aquáticos, influenciando alimentação, predação e dinâmica populacional. Mudanças nesse comportamento podem alterar interações com rivais e com fontes de alimento.
Especialistas destacam que resíduos humanos chegam às águas devido à falha parcial de estações de tratamento de esgoto em remover compostos químicos. Com milhões de usuários de cocaína no mundo, a presença desses traços pode se tornar comum em diversos cuerpos d’água.
Observam também que ecossistemas estão expostos a misturas de substâncias ativas em baixo volume. A toxidez somada a outros poluentes pode ampliar efeitos sobre espécies aquáticas, além de exigir novas avaliações ecológicas.
Pesquisadores alertam para possíveis consequências a longo prazo, como maior gasto energético por peixes em deslocamento e alterações na ocupação de habitats, com impactos indiretos em predadores e redes alimentares.
Estudos anteriores já identificaram efeitos semelhantes em outras espécies, inclusive em enguias, crustáceos e até tubarões. Ainda não está claro como mudanças comportamentais afetam sobrevivência, reprodução e a estrutura populacional das espécies.
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