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Leis florestais podem deslocar a agricultura para outros ecossistemas

Ecossistemas não florestais perdem terreno para a agricultura quatro vezes mais rápido que as florestas, e a UE não os contempla na regulamentação anti-desflorestação

Capybaras (Hydrochoerus hydrochaeris) in the Pantanal wetland in Brazil. Image © Diego Baravelli/Greenpeace.
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  • Ecossistemas não florestais, como áreas de gramíneas, wetlands e savanas, estão sendo convertidos em área agrícola a uma taxa cerca de quatro vezes maior que a das florestas.
  • Entre 2005 e 2020, aproximadamente 190 milhões de hectares de ecossistemas naturais não florestais foram convertidos para pastagens e plantações.
  • O regulamento europeu de combate ao desmatamento (EUDR) foca em florestas definidas pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o que deixa de fora savanas, pântanos e gramíneas em várias situações.
  • Países como Brasil, China, Rússia e Estados Unidos lideraram a conversão de ecossistemas não florestais para agricultura no período analisado.
  • O EUDR foi adiado para entrar em vigor a partir de 31 de dezembro de 2026, e críticas apontam brechas e exceções que enfraqueceriam a proteção ambiental; há pedidos para incluir ecossistemas como o Cerrado.

Grupos ambientais mostram que áreas fora de florestas estão sendo convertidas em áreas agrícolas a uma velocidade maior que as áreas de floresta, o que não recebe a mesma atenção das políticas anticorreção de desmatamento da União Europeia. O alerta vem de um relatório conjunto da Rainforest Alliance, World Resources Institute e parceiros.

Segundo o estudo, ecossistemas como pastagens, áreas úmidas e savanas estão sendo perdidos para a agricultura a cerca de quatro vezes a taxa de desmatamento de florestas. Entre 2005 e 2020, aproximadamente 190 milhões de hectares de ecossistemas não florestais foram convertidos principalmente em pastagens e lavouras.

Siyi Kan, pesquisadora de economia ambiental da Universidade de Oxford, afirma que, quando proteções ficam mais rígidas nas florestas, a pressão se desloca para outros ecossistemas também relevantes. O chamado é para ampliar a atenção a essas áreas antes que seja tarde.

O relatório destaca que tanto ecossistemas florestais quanto não florestais são importantes para biodiversidade e sequestro de carbono, mas políticas existentes costumam focar apenas nas florestas.

Brasil aparece como o país com maior conversão de ecossistemas não florestais em agricultura, seguido por China, Rússia e Estados Unidos, segundo a análise de 15 anos.

Lacunas da EUDR e impactos

A regulação europeia de desmatamento zero, conhecida como EUDR, visa impedir a entrada de commodities como óleo de palma, carne, café, soja, madeira e borracha ligadas a desmatamento recente. A definição da FAO para floresta exige árvores com mais de 5 m de altura, o que exclui savanas, pântanos e pastagens.

Em 2024, organizações e lideranças indígenas pediram aos legisladores europeus que incluíssem o Cerrado brasileiro na EUDR. As revisões mais recentes do texto não expandem o conceito, e a implementação foi adiada para 31 de dezembro de 2026. Enquanto isso, foram incorporadas exceções e brechas que preocupam especialistas.

Kan ressalta que, mesmo com atrasos na aplicação da regulação focada em florestas, ampliar o alcance para outros ecossistemas é um desafio político e prático, mas não deve ser ignorado.

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