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Formigas param em serviço de lava-rápido oferecido por outra espécie no deserto

Parceria inusitada entre formigas-ceifeiras e formigas menores no Arizona aponta possível troca de microrganismos e benefício mútuo

Formigas menores (Dorymyrmex medeis) sobre o corpo de uma formiga-ceifeira-vermelha (Pogonomyrmex barbatus) em Portal, no Arizona
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  • Em Portal, Arizona, há vinte anos, o entomologista Mark Moffett observou formigas-ceifeiras-vermelhas (Pogonomyrmex barbatus) próximas à entrada de ninhos de uma formiga menor (Dorymyrmex medeis), parecendo pedir serviço de limpeza.
  • As pequenas formigas subiam sobre as maiores, lambiam e mordiscavam os detritos, seguindo uma rotina que começava ao nascer do sol e tinha pico antes do meio da manhã.
  • Moffett registrou pelo menos noventa interações ao longo de cinco dias, com até cinco Dorymyrmex medeis subindo ao mesmo tempo em uma P. barbatus. A interação terminava quando a formiga menor irritava a maior, que a sacudia.
  • A observação foi publicada no dia 13 deste mês na revista Ecology and Evolution, gerando discussões sobre os possíveis benefícios para ambas as espécies, como troca de microrganismos, comunicação química ou ganho nutricional.
  • A pesquisadora Alexandra Grutter, da Universidade de Queensland, comparou o comportamento a estações de limpeza de peixes e sugeriu que as interações poderiam envolver transferência de microrganismos, embora ainda seja preciso entender os ganhos para cada espécie.

Em uma manhã de junho, há 20 anos, o entomologista Mark Moffett, do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian, observou um comportamento incomum em Portal, no Arizona. Formigas-ceifeiras-vermelhas se aproximavam de ninhos de uma espécie menor, Dorymyrmex medeis, e ficavam estáticas.

As pequenas formigas subiam nas maiores, lamberam e mordiscavam, em uma espécie de serviço de limpeza. Moffett registrou as ações com a câmera e só recentemente percebeu que havia um padrão completo nas imagens.

A observação inicial levou Moffett a documentar pelo menos 90 interações ao longo de cinco dias. O ritmo começava ao nascer do sol, atingia o pico pela manhã e diminuía ainda antes do meio-dia quente do deserto.

Em entrevista posterior, o pesquisador descreveu a postura rígida das formigas maiores antes que as menores começassem a limpar. Em muitos momentos, até cinco Dorymyrmex medeis atuavam simultaneamente sobre uma Pogonomyrmex barbatus.

O estudo aponta que as formigas maiores toleravam a ação por até cinco minutos, sem revidar de imediato. A interação terminava quando a maior se irritava e afastava a menor com um movimento violento.

A descoberta só ganhou corpo após Moffett revisar as imagens isoladamente ao longo de duas décadas. O material foi publicado no dia 13 deste mês na revista Ecology and Evolution, revelando uma parceria entre as duas espécies.

O que se sabe e o que não se sabe

Especialistas destacam o caráter inédito da observação. O pesquisador Kronauer, da Universidade Rockefeller, enfatizou a importância de relatos de história natural que abram novas linhas de estudo, mesmo sem participação direta dele.

Para entender o benefício mútuo, Moffett acompanhou pelo menos 90 interações em cinco dias, buscando padrões de horário e de resposta entre as espécies. A limpeza pode envolver cantos de difícil acesso na boca da formiga maior.

Algumas hipóteses contestadas citam vantagem nutricional para Dorymyrmex medeis, troca de feromônios ou sinalização química que pacifica as formigas maiores. A hipótese mais discutida sugere transmissão de microrganismos benéficos.

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