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Maior risco na medicina hoje é não usar IA, dizem especialistas

IA em saúde amplia detecção e eficiência, mas exige integração com o médico; a recusa pode representar risco crescente

Especialistas defendem o uso de IA em práticas da medicina - com cautela
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  • A inteligência artificial já está presente na medicina, desde a análise de imagens até sugerir condutas clínicas; o foco é como integrá-la, não se ela será utilizada.
  • O médico não é substituído pela IA; a tecnologia pode funcionar como uma segunda opinião qualificada, aumentando eficiência e segurança.
  • A adoção enfrenta resistência cultural e questões éticas, incluindo o peso do ego e o risco de depender demais da tecnologia.
  • Evidências apontam ganhos com IA: estudo na Lancet, em sessenta e milhar mulheres na Suécia, mostrou aumento de 29% na detecção de câncer de mama e queda de 44% na carga de radiologistas; pesquisa na Nature Medicine, com 463 mil pacientes na Alemanha, confirmou aumento na detecção sem aumentar exames desnecessários; na neurocirurgia, IA auxilia diagnóstico por imagem e planejamento, mas serve como co-piloto.
  • O futuro aponta para uso cada vez mais integrado; presença da IA deixa de ser opção e passa a ser referência, com médicos usando a tecnologia de forma crítica e responsável.

A medicina vive uma transformação com a presença cada vez mais explícita de inteligência artificial, de análises de imagem a sugestões de conduta clínica. O desafio atual não é se a IA será usada, e sim como integrá-la à prática médica de forma segura e eficaz.

Para o ortopedista Marcelo Itiro Takano, a discussão não é homem versus máquina. Ele afirma que a IA na saúde envolve um conjunto de ferramentas que já funciona como uma espécie de segunda opinião qualificada, ampliando eficiência e segurança.

Segundo Takano, a IA demonstra capacidade superior em tarefas que envolvem grandes volumes de dados, identificar padrões e prever resultados. Ele ressalta que, no curto prazo, a máquina tende a operar com maior eficiência em várias jornadas assistenciais, sem substituir o médico, que permanece com a palavra final.

Desempenho científico e prática clínica

A adoção da IA já apresenta casos de ganhos práticos. Em rastreamento de câncer de mama, estudo sueco com mais de 100 mil mulheres mostrou aumento de 29% na detecção de tumores, principalmente menores, e queda de 44% na carga de trabalho dos radiologistas.

Outra pesquisa, na Nature Medicine, reuniu 463 mil pacientes em 12 centros da Alemanha e confirmou maior detecção sem aumento de exames desnecessários. Em conjunto, a literatura aponta que IA identifica entre 20% e 40% de cânceres que passaram despercebidos por radiologistas.

Na neurocirurgia, algoritmos ajudam no diagnóstico por imagem e no planejamento cirúrgico, com alta acurácia. O neurocirurgião Cesar Cimonari de Almeida aponta que a IA atua como co-piloto, acelerando triagens e definindo abordagens, mas com responsabilidade humana.

Caminhos futuros e cuidados

A redução de dependência é tema de atenção. Takano afirma que prontuários eletrônicos, exames digitais e telemedicina já tornam a tecnologia indispensável, exigindo equilíbrio entre uso adequado e riscos de erro. O objetivo é aprender com acertos e mitigar falhas com uso responsável.

Em reprodução humana, a IA auxilia na seleção de embriões e na análise de óvulos e espermatozoides, contribuindo para decisões mais assertivas, sem substituição do especialista. A ideia central é incorporar a IA como ferramenta de suporte, não como substituta.

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