- Um comprimido diário experimental combina doravirina e islatravir e mostrou manter carga viral indetectável em mais pacientes que o regime atual de referência.
- No estudo, 98,6% dos 368 voluntários que usaram o comprimido experimental mantiveram carga viral indetectável após quarenta e oito semanas, contra 95,1% no grupo com o tratamento padrão.
- O regime experimental não usa inibidores da integração da fita de DNA viral (INSTIs); busca ampliar opções terapêuticas com menos comprimidos.
- Ao todo, 553 participantes de oito países foram acompanhados por um ano e meio de tratamento para comparar os regimes.
- Especialistas veem a pílula única como uma nova linha de tratamento que pode aumentar adesão e oferecer alternativas diante de resistência, sem, ainda, indicar cura do HIV.
O estudo internacional avaliou uma pílula diária que combina dois antirretrovirais, doravirina e islatravir, para tratar o HIV. O objetivo foi verificar se esse regime de dose única mantém a carga viral indetectável com eficácia igual ou superior ao padrão atual.
Ao todo, 553 voluntários de oito países foram randomizados em dois grupos. Todos já faziam terapia há pelo menos três meses e foram acompanhados por 48 semanas. O resultado mostrou alta manutenção da supressão viral com o comprimido experimental.
Entre os 368 participantes que usaram a pílula de dose única, 98,6% mantiveram carga viral indetectável ao final do estudo. No grupo com o tratamento padrão à base de INSTIs, o índice foi de 95,1%.
Detalhes e avaliação clínica
Para o infectologista Moacyr Silva Júnior, do Einstein Hospital Israelita, os resultados ampliam as opções terapêuticas, não apenas substituindo o modelo atual. Ele destaca a possibilidade de usar outras drogas em caso de resistência, sem perder o controle da infecção.
A adesão tende a melhorar com uma única pílula diária, reduzindo o risco de esquecimento. O estudo apontou mais efeitos adversos no grupo experimental, mas não houve aumento significativo de interrupções da terapia.
Contexto nacional e perspectivas
O HIV indetectável também implica menor transmissão e menor infecção ativa. Dados atualizados do Painel do HIV no Brasil indicam que 86% dos pacientes em tratamento atingem esse estado. O avanço é associado à diversificação terapêutica promovida pelo SUS.
Segundo Moacyr Silva Júnior, o estudo reforça uma tendência de simplificação dos esquemas terapêuticos no Brasil, com menos fármacos e maior variedade de opções para enfrentar resistência viral.
Apesar dos avanços, não há confirmação de cura do HIV. A trajetória atual aponta para controle estável da doença e melhoria na qualidade de vida dos pacientes, associados a tratamentos cada vez mais simples.
Entre na conversa da comunidade