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Uso reduzido de cosméticos reduz poluentes no organismo

Estudo francês mostra que reduzir cosméticos diminui rapidamente a exposição a desreguladores endócrinos; BPA cai ~39% e metilparabeno ~30%

Estoque de cremes clareadores proibidos na França é apreendido pela polícia em Ivry‑sur‑Seine, subúrbio de Paris, em julho de 2009.
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  • Estudo com 103 mulheres em idade reprodutiva (18 a 30 anos) de Grenoble avaliou o impacto de cinco dias sem cosméticos.
  • As participantes substituíram seus hábitos por produtos fornecidos pelos pesquisadores, livres de fenóis sintéticos, parabenos, ftalatos e éteres de glicol.
  • Houve queda de cerca de 22% no monoetil-ftalato, 30% no metilparabeno e 39% na concentração urinária de bisfenol A.
  • O bisfenol A não é autorizado na França desde 2005 em produtos de cuidado pessoal e cosméticos, por toxicidade reprodutiva; a redução observada pode levar a regulamentação mais rígida de componentes e embalagens.
  • O Parlamento Europeu deve se pronunciar no fim de abril sobre mudanças na regulamentação de cosméticos, com críticas de entidades de defesa do consumidor; o texto prevê prazo maior para retirada de substâncias cancerígenas, mutagênicas ou tóxicas para a reprodução.

A pesquisa indica que reduzir o uso de cosméticos diminui rapidamente a concentração de poluentes químicos na urina. O estudo envolveu mulheres em idade reprodutiva, realizado em França pelo Inserm, Grenoble Alpes e CNRS. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira.

Cento e três estudantes universitárias, com idades entre 18 e 30 anos, participaram do estudo entre junho de 2022 e julho de 2024. Durante cinco dias, elas reduziram o consumo de produtos de higiene e cuidado pessoal e trocaram itens habituais por alternativas sem fenóis, parabenos, ftalatos e éteres de glicol.

Em seguida, os pesquisadores compararam exames de urina antes e depois da restrição. Houve queda de cerca de 22% no monoetil-ftalato e 30% no metilparabeno, dois componentes comuns em fragrâncias e conservantes, respectivamente. A concentração de BPA caiu 39%.

Regulação

O Inserm lembra que o BPA não é autorizado na França desde 2005 em cosméticos por ser tóxico à reprodução, com contaminações possíveis na fabricação ou nas embalagens. Os resultados sugerem avanços na discussão sobre regulamentação de substâncias em produtos de cuidado.

Claire Philippat, pesquisadora do Inserm, afirma que a exposição vinda de cosméticos é relevante e pode ser reduzida. Ela ressalta que mudanças de comportamento ajudam, mas que a regulamentação também é essencial.

Cenário regulatório na União Europeia

O Parlamento Europeu deve decidir, ainda em abril, sobre mudanças na regulamentação de cosméticos da UE. O texto propõe prazos maiores para a retirada de substâncias cancerígenas, mutagênicas ou tóxicas para a reprodução, segundo críticas de entidades de defesa do consumidor.

As informações são baseadas no estudo divulgado pelo Inserm, Grenoble Alpes e CNRS, com cobertura de agências.

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