- Autoridades de saúde dos EUA vetaram a publicação de um estudo que avaliava a eficácia da vacina contra a covid-19 na prevenção de hospitalizações.
- A decisão foi confirmada na quarta-feira, 22, e estaria relacionada a uma disputa sobre a metodologia do estudo, que seria publicado no Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR).
- O estudo apontava que a vacinação reduziu pela metade as visitas ao pronto-socorro e as hospitalizações entre adultos saudáveis no último inverno.
- As autoridades do Departamento de Saúde e Serviços Humanos não detalharam exatamente quais aspectos da metodologia seriam problemáticos, citando possíveis vieses como infecções prévias, comportamento e diferenças entre quem busca atendimento médico.
- A comunidade científica, em geral, não compartilha dessas objeções e aponta que a abordagem já foi usada em pesquisas similares, conforme relatos da imprensa.
Autoridades de saúde dos EUA barram a publicação de estudo sobre eficácia da vacina contra a covid-19. O texto seria veiculado no MMWR, portal oficial dos CDC, mas a publicação foi interrompida na quarta-feira, 22, por disputa metodológica.
Segundo o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), o obstáculo envolve a comparação entre vacinados e não vacinados diante de infecções prévias, comportamento de busca por atendimento e outras diferenças entre pacientes. A justificativa veio sem detalhes técnicos.
O estudo buscava medir a redução de hospitalizações e de visitas ao pronto-socorro entre adultos saudáveis no último inverno, com base em registros hospitalares de pacientes atendidos por doença respiratória. Dados seriam avaliados com relação ao estado de vacinação.
Ainda conforme o HHS, a metodologia usada poderia distorcer os resultados, dificultando estimar a eficácia real da vacina em tempo real. A nota oficial não detalhou a alternativa proposta pelo governo.
Pesquisadores consultados pela imprensa destacam que a abordagem empregada já foi utilizada em estudos revisados por pares, com resultados considerados relevantes por especialistas da área. A crítica envolve apenas a validade das comparações entre grupos.
Fiona Havers, médica de Atlanta, afirma que a metodologia visa corrigir diferenças no atendimento médico. Ela já atuou no CDC e aponta que infecções prévias não devem inviabilizar a análise, pois grande parte da população já teve a doença.
A comunidade científica tem visão divergente: muitos pesquisadores defendem o uso da técnica para estimar eficácia de vacinas em cenários reais, com limitações reconhecidas. Até o momento, não houve apresentação de um protocolo substituto pelo HHS.
O Washington Post revelou, em primeira mão, a decisão de veto à publicação e as motivações apresentadas pelo governo. A publicação de resultados confiáveis sobre a vacina permanece sob debate entre autoridades e pesquisadores.
- A decisão acende o debate sobre transparência e métodos de avaliação da eficácia vacinal diante de variáveis como infecção prévia e comportamento de busca por assistência médica.
- Especialistas lembram que métodos alternativos podem oferecer estimativas úteis, desde que sejam realistas e éticos para uso anual.
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