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Dor em galos e galinhas afeta bem-estar de pintinhos na criação de frangos

Dor parental em galos e galinhas reduz sensibilidade à dor na prole, prejudicando locomoção, bem-estar e desempenho produtivo dos frangos

Frangos com menor sensibilidade à dor podem ter se habituado e não a expressam em respostas fisiológicas e comportamentais, o que gera a possibilidade de perdas produtivas e comprometimento ao bem estar - Foto: cedida pelo pesquisador
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  • Pesquisadores da FMVZ da USP mostraram que dor em galos e galinhas reprodutores afeta a percepção de dor e o bem‑estar dos pintinhos de frango de corte.
  • O estudo, realizado em instalações comerciais brasileiras, avaliou a nocicepção dos progenitores e o impacto na locomoção e no desenvolvimento da prole.
  • Em experiments com pressão aplicada nas patas (algotômetro), frangos com limiar nociceptivo elevado podem não demonstrar dor, o que pode favorecer perdas produtivas e pior bem‑estar; 3% apresentaram claudicação severa.
  • Machos da prole de fêmeas claudicantes mostraram menor sensibilidade à dor, sugerindo influência transgeracional da condição locomotora parental na nocicepção.
  • Os resultados indicam potencial uso do limiar nociceptivo como ferramenta de monitoramento de bem‑estar na avicultura industrial e para orientar estratégias de melhoria genética e manejo.

Frangos de corte criados em granjas comerciais foram usados para investigar como a dor nas galinhas e nos galos pode afetar o bem-estar e o desenvolvimento de seus descendentes. O estudo aponta que a claudicação materna altera a sensibilidade à dor na prole, com impactos no desenvolvimento e na locomoção.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP acompanharam reprodutores claudicantes e saudáveis, distribuídos em quatro grupos de acasalamento. O trabalho ocorreu em instalações avícolas do Brasil, com etapas em granja de reprodução, incubatório e granja de pintos.

A nocicepção, resposta inicial à dor, foi medida por meio de um algômetro. A pressão aplicada nas patas determinou o limiar nociceptivo, indicando até que ponto o estímulo era percebido como doloroso. O método não causou dano às aves.

Desenvolvimento da pesquisa

A primeira etapa separou galos e galinhas por condição locomotora, formando grupos para acasalamento. Na segunda, ovos e pintinhos foram avaliados conforme a condição dos progenitores. Na terceira, pintinhos cresceram e foram avaliados quanto à locomoção e ao limiar nociceptivo.

A análise mostrou que filhotes de progenitores com claudicação materna apresentaram maiores limiares de dor e menor sensibilidade a estímulos nociceptivos. Machos de linhagens de fêmeas claudicantes também apresentaram alterações no processamento da dor.

Principais achados

Frangos com menor sensibilidade à dor podem ter se habituado ao desconforto, dificultando a identificação de sofrimento. Em consequência, há potencial de perdas produtivas e redução do bem-estar. A mortalidade do setor pode chegar a 5%.

Os resultados indicam que a locomoção dos pais influencia a nocicepção da prole, com diferenças entre grupos de descendência. Machos de grupos com mães claudicantes exibiram menor resposta à dor que outras combinações.

Considerações e impactos

O estudo reforça a importância de mitigar problemas locomotores entre reprodutores e explorar o uso do limiar nociceptivo como ferramenta de monitoramento do bem-estar na avicultura. Fatores genéticos, ambientais e possivelmente transgeracionais podem modular a dor.

Os autores destacam que a nocicepção está ligada à homeostase e à sobrevivência dos animais. O trabalho sugere linhas futuras de pesquisa sobre lateralização, cronicidade da dor e diferenças entre sexos, além de facilitar estratégias de melhoramento.

Origem e cooperações

O estudo resulta do mestrado de Marco Aurélio Pereira de Almeida, com orientação de Adroaldo José Zanella, da FMVZ. Colaboração envolveu Ana Carolina Dierings Montechese, Camila Squarzoni Dale e Vitor Abreu. A análise estatística contou com Cihan Çakmakçı, da Turquia.

O artigo completo está publicado na natureza e pode ser consultado pela comunidade científica, com informações de contato para os pesquisadores citados. Fontes oficiais: Adroaldo Zanella e Marco Aurélio Almeida.

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