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Endometriose e cannabis medicinal: novas perspectivas para alívio da dor

CBD e THC podem modular a dor da endometriose, segundo o médico Pietro Vanni; uso, dosagem e acesso exigem avaliação médica e acompanhamento

Foto: Reprodução/Shutterstock
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  • A endometriose atinge cerca de 10% da população feminina em idade reprodutiva no Brasil, com dor pélvica crônica como principal sintoma.
  • A cannabis medicinal tem sido usada para reduzir a dor e a inflamação, atuando no sistema endocanabinoide por meio de canabinoides como CBD e THC.
  • O CBD é o composto mais usado pela sua ação anti-inflamatória, enquanto o THC pode ser incluído em menor proporção para potencializar a analgesia, em regime conhecido como efeito comitiva.
  • O tratamento envolve plano terapêutico individualizado, com prescrição médica, possível autorização da Anvisa para importação e monitoramento periódico.
  • O manejo provável inclui mudanças de estilo de vida, fisioterapia pélvica e gestão do estresse, sempre com acompanhamento de equipe multidisciplinar.

A endometriose é uma condição inflamatória que atinge cerca de 10% da população feminina em idade reprodutiva no Brasil. O tecido endometrial cresce fora do útero, afetando ovários, trompas e intestino, gerando dor pélvica crônica.

Pacientes relatam dores que nem sempre respondem a analgésicos comuns. A cannabis medicinal vem sendo utilizada como alternativa terapêutica para controlar esses sintomas, especialmente quando há resistência aos tratamentos tradicionais.

O texto apresenta a visão do Dr. Pietro Vanni, médico da Clínica Gravital, sobre como CBD e THC podem atuar no sistema nervoso para modular a dor e a inflamação associadas à doença.

Diferenças entre o uso de CBD e THC

O CBD é o principal componente prescrito pela sua ação anti-inflamatória, sem efeito psicoativo, útil para estabilizar o sistema imune e reduzir a sensibilidade à dor ao longo do tempo.

O THC pode ser incluído em proporções menores para potencializar o efeito analgésico, especialmente em dores neuropáticas. A combinação costuma ser chamada de “efeito comitiva”.

A escolha entre CBD e THC depende do estágio da endometriose e da resposta individual da paciente, com ajustes de dosagem sob orientação médica.

Protocolo para acesso ao tratamento medicinal

A consulta com médico especializado em medicina canabinoide define o plano terapêutico, incluindo CBD, THC e a via de administração. Depois, há necessidade de uma receita médica e, se necessário, autorização da Anvisa.

A aquisição ocorre em farmácias autorizadas ou por importação, conforme a regulamentação vigente. Retornos periódicos monitoram a eficácia clínica e ajustam as dosagens conforme evolução do quadro.

Impacto na funcionalidade e segurança

A redução da dor busca favorecer a retomada das atividades diárias, como trabalho e exercícios leves, minimizando crises agudas. A terapia canabinoide também visa reduzir a dependência de opioides, com menor risco de efeitos adversos.

Dr. Vanni ressalta a importância de acompanhamento multidisciplinar para a segurança do tratamento, que não substitui os cuidados ginecológicos regulares. A cannabis é ferramenta complementar.

Regulamentação e educação

A prescrição é permitida no Brasil para várias especialidades, incluindo ginecologia, desde que haja padrões de qualidade aprovados pela Anvisa. O uso deve ser feito com formulações farmacêuticas certificadas, evitando produtos de origem duvidosa.

A ciência brasileira avança no estudo de canabinoides para patologias como a endometriose. O acesso a informações técnicas é essencial para ampliar o uso seguro e competo de terapias modernas.

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