- O Cemaden aponta que o Sistema Cantareira entra no período de estiagem com déficit acumulado desde abril de 2025, mesmo após recuperação recente.
- O sistema, principal abastecedor da Região Metropolitana de São Paulo (39 municípios; mais de 20 milhões de habitantes), já apresentou nível baixo no fim do ano passado.
- Relatórios mensais e projeções do Cemaden indicam possibilidade de estiagem severa a partir de agora, com maior risco em setembro.
- A projeção aponta queda adicional de água, com volume próximo de 25% em setembro, dependendo da chegada das chuvas.
- A redução da pressão na rede durante a noite, autorizada pela Sabesp e pela Arcesp, afeta principalmente áreas altas, reforçando a necessidade de uso consciente da água.
O Cemaden aponta que o Sistema Cantareira pode continuar em alerta, mesmo com superávits no início de 2026. O estudo reforça que déficits de chuva acumulados desde abril de 2025 persistem. A análise envolve o principal manancial da Região Metropolitana de São Paulo e seus impactos no abastecimento.
Segundo o pesquisador Pedro Luiz Côrtes, da USP, o Cantareira já acumula déficits frequentes de chuva há meses. Apesar dos resultados positivos recentes, a recuperação não gerou tranquilidade para o futuro próximo. A região permanece com vulnerabilidade hídrica.
Os relatórios mensais do Cemaden acompanham o reservatório e projetam os próximos meses. O objetivo é monitorar o Cantareira, que abastece 39 municípios e mais de 20 milhões de habitantes, além de atender parte do interior. A chuva continua sendo o fator-chave.
Relatórios mensais do Cemaden
Côrtes destaca que o Cemaden utiliza o comportamento pluviométrico para orientar as projeções. A estimativa aponta risco de estiagem severa, especialmente a partir de setembro. O período típico de estiagem vai do fim do verão até o início da primavera, com o atraso no início das chuvas já observado.
O professor ressalta que o acúmulo de água na fase inicial de estiagem não assegurava tranquilidade para 2027. Caso as chuvas demorem, o Cantareira pode operar com volumes muito baixos no mês de setembro, dificultando o atendimento.
Impacto no consumo e na distribuição
A redução na pressão da rede ocorre sob autorização de órgãos reguladores e da Sabesp, com efeito sobre áreas altas e imóveis sem reservação. Assim, moradores podem enfrentar quedas de água ao fim do dia, com retorno apenas pela manhã seguinte.
Côrtes indica que quedas de chuva alteram o padrão de oferta. A mudança climática implica menor volume de precipitações em períodos tradicionalmente chuvosos, o que tende a reduzir o fornecimento. A comunicação pública tem ganhado relevância para orientar o consumo consciente.
A reportagem segue acompanhando as consultas do Cemaden e as medidas de gestão de água adotadas pela Sabesp, com foco na proteção do abastecimento durante a estiagem e na comunicação sobre consumo responsável.
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