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Macacos de Gibraltar comem terra para neutralizar junk food de turistas

Geofagia de macacos em Gibraltar cresce com turismo; 20% da dieta já são ultraprocessados, terra é ingerida para proteger o microbioma, dizem pesquisadores

Macaco consome alimento embalado em plástico — Foto: Thilina Kaluthotage/NurPhoto/Getty Images
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  • Macacos-da-barbária em Gibraltar passaram a ingerir terra com frequência, prática associada ao consumo crescente de alimentos ultraprocessados oferecidos por turistas.
  • Cerca de 20% da dieta dos animais já é composta por itens como sorvetes, chocolates, refrigerantes e salgadinhos.
  • Cientistas sugerem que a geofagia pode atuar para mitigar impactos digestivos de dietas ricas em açúcar, gordura e sal.
  • Grupos com maior contato com visitantes apresentam maior ocorrência do comportamento; ao fim do inverno, com menos turistas, houve queda na geofagia e no consumo de junk food.
  • Observadores destacam que a terra pode ter efeito protetor no microbioma, mas reforçam que reduzir a oferta de alimentos humanos é a medida mais eficaz.

Macacos em Gibraltar passaram a ingerir terra com maior frequência, uma geofagia associada ao consumo de alimentos ultraprocessados oferecidos por turistas. O comportamento foi observado entre macacos-da-barbária que vivem no território britânico.

Pesquisadores identificaram que cerca de 20% da dieta dessas populações já é composta por itens como sorvetes, chocolates, refrigerantes e salgadinhos, geralmente acessados na presença de visitantes. A prática aparece mais entre grupos com maior contato humano.

O estudo, que acompanhou quase dois anos de observação, aponta que a geofagia ocorre principalmente nas áreas de maior fluxo turístico. Em períodos de menor visitação, o consumo de junk food e de terra tende a diminuir.

Possível função protetora do solo

O cientista Sylvain Lemoine, da University of Cambridge, sugere que a terra pode contribuir para recompor o microbioma intestinal, ajudando a mitigar os impactos da dieta ultraprocessada. Ainda assim, a hipótese não dispensa o controle da alimentação humana.

Paula Pebsworth, primatologista da University of Texas at San Antonio, ressalta que o comportamento pode representar adaptação, mas não substitui a necessidade de reduzir a oferta de comida humana aos animais. A proteção do microbioma depende de manejo adequado.

Os pesquisadores indicam que parte da terra consumida é argila vermelha natural, com ingestão ocorrendo até em áreas urbanas. Além dos impactos nutricionais, há preocupação com a qualidade do solo, devido à poluição potencial nas áreas de tráfego intenso.

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