- Marte pode ter tido um oceano gigantesco, que cobria cerca de um terço do planeta, deixando uma possível “plataforma costeira” como vestígio.
- O estudo indica que a plataforma costeira seria uma faixa plana de terra, entre 200 e 400 metros de largura, mais estável à erosão ao longo de bilhões de anos.
- Pesquisas com dados do Mars Orbiter Laser Altimeter (MOLA) sugerem indícios dessa formação, mas ainda não há confirmação definitiva.
- A sonda Rosalind Franklin, da Agência Espacial Europeia, lançada para 2028 e com pouso previsto em 2030, explorará a região norte de Marte para investigar o subsolo e a superfície.
- Entendimento sobre a existência de um oceano antigo ajuda a explicar mudanças climáticas de Marte e a busca por possível vida no passado, já que água líquida pode ter persistido por períodos mais longos do que se supunha.
Marte pode ter abrigado um oceano vasto, que ocupava cerca de um terço do planeta, há bilhões de anos. A hipótese surge de uma faixa plana de terra que marcaria a antiga linha costeira, semelhante a uma plataforma costeira na Terra. O estudo aponta esse recurso como vestígio mais estável do oceano.
A pesquisa, publicada na Nature, é liderada por Michael Lamb, do Caltech, e Abdallah Zaki, da UT Austin. Eles usaram simulações computacionais para visualizar a possível marca de um oceano que secou, deixando a plataforma continental como feição persistente.
Os cientistas buscaram um análogo marciano em dados do Mars Orbiter Laser Altimeter (MOLA) da Nasa. A ideia é que a plataforma, com largura entre 200 e 400 metros, seria mais resistente à erosão ao longo de bilhões de anos do que uma simples linha costeira.
A equipe também ressalta que a evidência não é definitiva: a plataforma não se parece exatamente com a da Terra, e há incertezas sobre processos como deslocamento de crosta por erupções vulcânicas. Ainda assim, representa um avanço sobre a ideia de apenas uma linha costeira.
O estudo considera que a plataforma costeira seria resultado do transporte de sedimentos por rios para o oceano e da variação do nível do mar ao longo do tempo. Em Marte, vestígios de deltas de rios e praias subterrâneas reforçam a hipótese de antiga água líquida na superfície.
Estimativas anteriores sugeriam água líquida em Marte até cerca de 2 bilhões de anos atrás. Hoje, o planeta possui água principalmente nas calotas polares, com o subsolo ainda mantendo dúvidas sobre volumes significativos de água.
O que falta para confirmar a existência do oceano é observação direta. O rover Rosalind Franklin, da Agência Espacial Europeia, segue como promessa de investigação. Lançamento previsto para 2028, pouso em 2030, no hemisfério norte, para sondar superfície e subsolo.
Essa missão terá capacidade de identificar vestígios da plataforma costeira e esclarecer se Marte abrigou de fato um oceano estável. A confirmação poderá aprofundar a compreensão sobre a evolução climática marciana e a possibilidade de ambientes habitáveis no passado.
Provação adicional virá de dados de futuras missões e análises de campo, que devem consolidar ou refutar a existência da antiga plataforma continental. Pesquisadores destacam que, mesmo com evidências parciais, o tema permanece central para o debate sobre a história hídrica de Marte.
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