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Tesouro de navio pirata derruba mito sobre ouro da África Ocidental

Artefatos de ouro Akan do navio pirata Whydah Gally sugerem que o ouro da África Ocidental não era adulterado; impurezas seriam naturais

Fragmento metálico dourado com formato irregular e dois orifícios ovais, sobre fundo branco. Escala indica 1 milímetro para referência de tamanho.
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  • O navio pirata Whydah Gally naufragou em mil setecentos e dezessete na costa de Massachusetts, levando tesouro que incluía ouro oriundo da África Ocidental.
  • Um estudo analisou 27 artefatos de ouro recuperados do navio usando feixe de elétrons e raios X, revelando ouro entre setenta por cento e cem por cento em peso.
  • Quando não era puro, o ouro tinha prata, cobre, ferro ou chumbo como metais acompanhantes; o minério de Gana costuma ter esses componentes de forma natural.
  • A pesquisa não encontrou evidência de adulteração generalizada do ouro pelos comerciantes da África Ocidental, desmentindo o mito de ouro “ contaminado ”.
  • Os artefatos são interpretados como ouro Akan da África Ocidental, século XVIII, e o estudo foi publicado na Heritage Science.

Para a costa da África Ocidental, a ideia de ouro adulterado entre comerciantes europeus e povos locais ganhou força ao longo dos séculos. Um estudo recente coloca esse mito em xeque ao analisar artefatos recuperados do navio pirata Whydah Gally, que naufragou em 1717.

O navio, comandado por Samuel Bellamy, afundou perto da costa de Massachusetts durante uma tempestadeira após ter sido tomado no Caribe. O tesouro a bordo, segundo relatos da época, incluía riquezas de vários outros barcos saqueados.

A pesquisa foi publicada em Heritage Science, em março, e envolveu o estudo de 27 artefatos de ouro encontrados no Whydah. A equipe utilizou feixe de elétrons e raios X para medir a composição dos objetos, que variou de 70% a 100% de ouro.

Os itens analisados apresentam fragmentos fundidos e trabalho em fios típico do ouro Akan da África Ocidental, segundo os arqueólogos. Em alguns casos, havia prata, cobre, ferro ou chumbo como impurezas, em proporção natural para o ouro de origem regional.

A origem provável dos artefatos é Ghana, com posterior mistura de metais comum na mineração da região. Os pesquisadores destacam que o minério não é 100% puro, o que explicaria as impurezas sem indicar engano sistemático.

A equipe ressalta que a ideia de um comércio sujo entre europeus e África Ocidental não procede de forma generalizada. O estudo sugere que as impurezas estavam dentro da variabilidade natural do minério coletado na região.

O pesquisador Tobias Skowronek, da Universidade de Bonn, aponta que as evidências não sustentam a tese de adulteração deliberada para enganar compradores europeus. A antropóloga Kathleen Berzock comenta que as impurezas podem ter origem em práticas comuns de processamento de metais.

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