- Sítio em Kleidi Samikon, oeste da Grécia, tem as escavações desde 2022, lideradas pela arqueóloga Birgitta Eder e pela arqueóloga Erofili-Iris Kolia.
- O templo, com 28 metros de comprimento e 9,5 metros de largura, possui layout incomum com duas salas independentes e fileiras centrais de colunas, sugerindo funções além do culto.
- Durante as escavações recentes, houve evidência de um incêndio na Antiguidade e recuperação de placas de bronze incendiadas, além de achados como inscrição em bronze, bacia de mármore, espelho de bronze e uma gravura em pedra.
- Analises indicam que uma das salas pode ter funcionado como um arquivo para guardar documentos importantes, sob proteção divina, reforçando a ideia de função administrativa e política além da religiosa.
- O estudo continua em 2026, com as inscrições em bronze em avaliação; a descoberta já enfatiza que templos antigos também eram centros de poder, memória e governança.
O templo grego de Samikon, do século VI a.C., pode ter funcionado, além de espaço de culto, como um tipo de arquivo de documentos. A hipótese surge de escavações na região de Ília, no Peloponeso ocidental, perto da costa jônica, realizadas por uma equipe greco-austríaca. O trabalho começou em 2022.
A equipe é liderada pelas arqueólogas Birgitta Eder e Erofili-Iris Kolia, vinculadas ao Instituto Austríaco de Arqueologia e à Eforia de Antiguidades da Ília. Os achados foram apresentados com destaque internacional neste ano, após nova divulgação dos resultados de 2026.
O templo de Samikon apresenta uma planta incomum para o período arcaico. Mede cerca de 28 metros de comprimento por 9,5 metros de largura e possui duas grandes salas independentes com fileiras de colunas no eixo central. Esse layout sugere funções além do ritual religioso.
Durante as escavações mais recentes, a equipe encontrou sinais de um incêndio antigo que devastou a estrutura. Entre os escombros, surgiram placas de bronze severamente afetadas pelo fogo e pela umidade ao longo dos séculos. Esses artefatos fortalecem a hipótese de uso administrativo do espaço.
Entre os itens já encontrados estão uma grande inscrição em bronze, uma bacia de mármore para purificação, um espelho de bronze e uma pedra gravada. A combinação de inscrições com placas carbonizadas alimenta a teoria de que uma das salas servia como arquivo protegido pelos deuses.
A ideia de arquivo ganha força ao contextualizar o sítio com relatos de santuários locais da Grécia Antiga, onde documentos oficiais eram preservados em locais sagrados para evitar falsificações. Caso confirmada, a prática em Samikon seria rara e bem documentada.
A relevância do sítio vai além da arquitetura. Histórias antigas associam a região ao santuário de Posêidon Sâmios, ligado a encontros políticos entre comunidades do Peloponeso. Samikon ocupava posição estratégica entre montanhas e mar, o que explica o valor político do arquivo possivelmente existente ali.
Acredita-se que a localização entre vias importantes ajudou a controlar rotas regionais, reforçando o papel do templo como centro de memória, poder e governança. Um acrótero em argila, com diâmetro superior a um metro, pintado em preto e vermelho, também foi recuperado, destacando-se na paisagem da Grécia Antiga.
O programa de pesquisa em Samikon encerra em 2026, mas as análises continuam. O conteúdo das inscrições em bronze pode revelar detalhes inéditos sobre a vida administrativa e religiosa da Grécia Arcaica, caso haja registros legíveis preservados.
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