Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Estudo revela evolução e diversidade genética únicas de povos indígenas

Estudo com 128 genomas indígenas de oito países revela povoamento complexo das Américas e três ondas migratórias

Pesquisa foi feita a partir de parceria entre pesquisadores e comunidades, gerando devolutivas acessíveis para os povos estudados. Na imagem, representação de povos nativos de diversos países americanos - — Foto: G. Mülzel/Wikimedia Commons
0:00
Carregando...
0:00
  • Estudo com participação da USP analisou 128 genomas de indígenas americanos de oito países da América Latina, representando 45 populações e 28 famílias linguísticas.
  • Os dados indicam diversidade genética extensa e apontam pelo menos três dispersões para a América do Sul, com diferenciação regional e continuidade histórica.
  • Foram usados dois métodos de análise — identidade por descendência (IBD) e abordagens coalescentes — para combinar eventos recentes e antigos da história evolutiva.
  • O estudo ocorreu em parceria com comunidades indígenas, oferecendo devolutivas como resultados clínicos e análises de ancestralidade; enfrentou dificuldades com DNA antigo fragmentado e com preservação em solos brasileiros.
  • A pesquisadora destaca o papel da colonização europeia, a importância de contextos antropológico e cultural e a contribuição dos dados para entender migrações, relações entre povos e implicações de saúde.

Foi publicado na Nature um estudo com participação da USP sobre a diversidade genética dos povos indígenas da América. A pesquisa analisou 128 genomas de várias populações nativas. O foco é compreender a história evolutiva e as rotas migratórias no continente.

A coordenadora é a professora Tábita Hünemeier, do Instituto de Biociências da USP, que liderou o trabalho. A parceria envolveu equipes da Argentina, México, Bolívia, Peru e outros países, com retorno direto às comunidades estudadas.

Os dados mostram uma diversidade genética ampla, sugerindo pelo menos três dispersões para a América do Sul, seguidas de diferenciação regional. O estudo desafia modelos simplistas de povoamento humano no continente.

Diversidade indígena

O projeto reuniu genomas de 8 países da América Latina, incluindo Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, México, Paraguai e Peru, representando 45 populações. O conjunto envolve 28 famílias linguísticas.

Os autores combinaram dados modernos com genomas antigos para entender migrações, seleção natural e relações entre povos. A amostra total chegou a 199 indígenas contemporâneos, de 53 populações.

Foram usados métodos de identidade por descendência (IBD) e abordagens coalescentes, complementares para cobrir eventos recentes e antigos. A combinação permitiu entender a evolução genética com mais precisão.

Olhar multifacetado

Os resultados indicam que a variação genética está fortemente ligada à geografia, mas fatores históricos e culturais também moldaram essa diversidade. Em regiões como Amazônia e Chaco houve pouco contato entre grupos, aumentando diferenças.

Em áreas como Mesoamérica e parte da América do Sul houve mais troca entre populações, evidenciando diferentes ritmos de interação entre povos. A colonização europeia também deixou impactos duradouros na diversidade genética.

Tábita Hünemeier destaca que o estudo integra contextos antropológico, cultural e linguístico, evitando retratos genéticos isolados. O objetivo é avançar na compreensão do povoamento da América e de suas ondas migratórias.

A pesquisa reforça que o Brasil enfrenta desafios para coletar amostras de DNA em clima menos favorável à preservação de material antigo. Mesmo assim, os resultados permitem novas leituras sobre a história genética regional.

O estudo é visto como um passo inicial para mapear melhor a história dos povos indígenas das Américas, abrindo espaço para futuras perguntas e estudos mais detalhados. As descobertas ajudam a contextualizar a diversidade do continente.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais