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Um terço das embalagens plásticas não são recicladas e vão para aterros

Pesquisa da Universidade de São Paulo aponta que 30% das embalagens plásticas não são recicladas, pressionando revisão da logística reversa e metas no Congresso Nacional

Resultados de pesquisa na região metropolitana de São Paulo contribuem para pressionar pela revisão de políticas públicas de logística reversa, em debate no Congresso Nacional
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  • Cerca de trinta por cento das embalagens plásticas não são recicladas e acabam em aterros sanitários, segundo estudo da Universidade de São Paulo que mapeou resíduos em três cooperativas da região metropolitana de São Paulo.
  • A pesquisa aponta necessidade de revisar políticas públicas de logística reversa, tema em debate no Congresso Nacional.
  • Entre as maiores geradoras de embalagens não recicláveis estão Nestlé, Coca‑Cola e Lacta, que atuam junto a setores governamentais, mas não assumem plenamente a responsabilidade estendida ao produtor.
  • Os pesquisadores destacam que muitas embalagens são de múltiplas camadas, com aditivos e resíduos orgânicos, o que dificulta a reciclagem e eleva custos, levando a descartes em incineração ou aterros.
  • O Decreto nº 12.688/2025 é tema de consulta pública até maio, prevendo metas mais rigorosas de recuperação de embalagens e uso de material reciclado para fortalecer a economia circular.

Em torno de 30% das embalagens plásticas utilizadas no dia a dia não são recicladas e acabam em aterros sanitários por apresentarem composição mista, segundo estudo da USP. O inventário foi feito com resíduos coletados em três cooperativas na região metropolitana de São Paulo. O levantamento aponta a necessidade de revisão de políticas públicas sobre logística reversa no país.

A pesquisa identificou que embalagens de salgadinhos, café e sachês, entre outras, entram nessa categoria de difícil reciclagem. Parte dessas embalagens recebe tratamento inadequado, elevando custos e dificultando a viabilidade econômica da reciclagem para as cooperativas.

Ainda conforme o estudo, o plástico aparece como o segundo material mais comum entre os resíduos das cooperativas, ficando atrás apenas do papel. No entanto, o plástico foi o item que mais gerou renda para os catadores, enquanto grande parte foi classificada como rejeito.

Entre os materiais de difícil reciclabilidade identificados estão bandejas de PET para alimentos, embalagens de PP para manteiga e sorvete, potes de PS, filmes de PVC e o polipropileno biorientado presente em embalagens de salgadinhos e chocolates. Muitos itens apresentam múltiplas camadas e contaminantes.

A lista de marcas mais presentes no conjunto de resíduos aponta Nestlé, Coca-Cola e Lacta na frente, seguidas por Garoto, Bauducco, Danone, Tirolez, Colgate-Palmolive, Sadia, Clube Social e Vigor. O estudo sugere que grandes empresas exercem influência na formulação de políticas públicas.

Pautas e desdobramentos

Até maio de 2026 permanece aberta consulta pública sobre a implementação do Decreto nº 12.688/2025, que regula a logística reversa de embalagens plásticas. O documento propõe metas mais rigorosas para recuperação de embalagens e inclusão de material reciclado nas embalagens.

Para os autores, a responsabilização direta das empresas é essencial para distribuir custos de coleta, triagem e reinserção no ciclo produtivo. O estudo defende ainda o envolvimento de catadores e cooperativas na formulação de soluções, inclusive por meio de indicadores de circularidade.

O pesquisador Fábio Cardozo reforça que o decreto pode facilitar o caminho para uma reciclagem mais eficiente e sustentável, desde que haja redesenho de embalagens e cumprimento de metas. A participação cidadã pode ocorrer pela plataforma Brasil Participativo, conforme a consulta pública em curso.

A dissertação completa está disponível institucionalmente, com fontes para leitura adicional. Contatos de referência para interessados em mais detalhes são oferecidos aos leitores interessados.

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