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Alimento pode prejudicar a saúde intestinal e a imunidade

Alimentos ultraprocessados prejudicam a microbiota, elevam inflamação e afetam imunidade e humor; mudanças na alimentação podem reverter os danos em semanas

Ilustração com cores vibrantes que especifícam a relação entre o intestino e o cérebro - Metrópoles.
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  • Alimentos ultraprocessados não só engordam; eles afetam humor, imunidade e o funcionamento do intestino, via impacto na microbiota.
  • Esses produtos contêm emulsificantes, corantes artificiais, adoçantes sintéticos e conservantes, presentes em itens como biscoitos recheados, macarrão instantâneo, embutidos, cereais matinais e temperos prontos.
  • Segundo o IBGE, os ultraprocessados já respondem por cerca de 20% das calorias consumidas pelos brasileiros, com maior participação entre crianças e adolescentes.
  • A ingestão predominante de ultraprocessados reduz a diversidade da microbiota em poucos dias, o que está ligado a inflamação crônica e a danos na barreira intestinal.
  • A recuperação ocorre com mudanças na alimentação: mais fibras, vegetais, leguminosas e fermentados como iogurte natural e kefir, podendo haver melhora em semanas.

O que se sabe sobre ultraprocessados e o intestino tem ganhado destaque na ciência. Estudos recentes apontam que a microbiota intestinal, além de influenciar a digestão, afeta a imunidade, o humor e o risco de doenças. O tema ganhou fôlego com relatos de mudanças na alimentação diária.

A pesquisa mostra que ultraprocessados vão além de calorias vazias. Produtos com emulsificantes, corantes artificiais, adoçantes e conservantes estão associados a danos na mucosa intestinal e à redução da diversidade de microrganismos. Esse desequilíbrio pode favorecer inflamação silenciosa e impactos na saúde metabólica.

Relatos de especialistas destacam que, em poucos dias de consumo predominante desses itens, a microbiota pode perder parte da sua variedade. Em especial, os emulsificantes aparecem como agentes relevantes na disfunção da barreira intestinal, o que pode permitir substâncias além do intestino alcançar a circulação.

A produção de neurotransmissores também é afetada. Cerca de 90% da serotonina do corpo é gerada no intestino; quando a microbiota está desequilibrada, esse processo pode ser prejudicado. Pesquisas associam a disbiose a maiores vulnerabilidades a ansiedade, depressão e alterações cognitivas, embora o consumo de ultraprocessados não tenha efeito direto nessa relação.

Caminhos de recuperação

A boa notícia é que a microbiota pode se recuperar com mudanças na alimentação. Aumentar o consumo de fibras, vegetais, leguminosas e alimentos fermentados, como iogurte natural e kefir, pode reverter parte dos danos em semanas. A diversidade intestinal volta a ganhar força com hábitos alimentares consistentes.

Além da dieta, é essencial reduzir a frequência de ultraprocessados para permitir que as bactérias benéficas se reequilibrem. A educação alimentar e o planejamento de compras contribuem para mudanças duradouras no intestino e no bem-estar geral.

*Juliana Andrade* é nutricionista formada pela UnB e com pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional. O texto trata de alimentação, saúde e estilo de vida.

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