- Dados do relatório Vigitel Brasil 2006-2024 indicam aumento de jovens fumantes, de 9,2% em 2023 para 11,5% em 2024.
- O tabagismo está ligado a várias doenças e responde por mais de 145 mil mortes anuais no Brasil, cerca de 477 por dia.
- Os danos causados ao Sistema Único de Saúde somam cerca de R$ 153,5 milhões.
- O cigarro eletrônico é apontado como fator que pode ter contribuído para o crescimento de 2024, segundo o professor Ricardo Luiz de Melo Martins.
- Pesquisas do INCA mostram que uma conversa de até cinco minutos com um profissional de saúde pode afastar o início do fumo ou estimular a cessação, gerando economia de até 1 bilhão ao SUS.
O número de fumantes entre jovens no Brasil aumentou entre 2023 e 2024, conforme o relatório Vigitel Brasil 2006-2024, divulgado pelo Ministério da Saúde. O índice subiu de 9,2% para 11,5%. A alta acende alerta em políticas públicas.
Especialistas apontam que o cigarro eletrônico contribuiu para o crescimento. O professor Ricardo Luiz de Melo Martins, da Faculdade de Medicina da UnB, atribui o aumento à maior adesão a dispositivos eletrônicos de consumo entre jovens.
O tabagismo permanece ligado a doenças graves. Dados do INCA indicam prejuízos significativos ao SUS, com gastos estimados em 153,5 milhões. Anualmente, mais de 145 mil brasileiros morrem por doenças associadas ao tabaco.
Do total de mortes, destacam-se 40 mil por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, 30 mil por doenças cardíacas e 26 mil por câncer de pulmão. O tabagismo também representa risco para saúde de terceiros, no caso do fumo passivo.
Por que isso ocorre? O especialista ressalta que o pulmão não metaboliza substâncias presentes no tabaco, gerando inflamação crônica. Em torno de 5.200 substâncias são inaladas, agravando o quadro de saúde.
Desdobramentos e tratamento
Pesquisas do INCA mostram que uma conversa de até 5 minutos com um profissional de saúde pode evitar a iniciação ou favorecer a cessação do tabagismo. A prática é simples, porém ainda pouco aplicada.
Estudos apontam impacto positivo de intervenções no consultório. Em média, ajuda direta à cessação pode alcançar cerca de 10% dos pacientes apenas com acolhimento e orientação. A simples orientação tem efeito expressivo.
No SUS, existem tratamentos para o tabagismo que combinam psicoterapia cognitivo-comportamental, acompanhamento médico e, se necessário, reposição de nicotina ou medicações. A combinação varia conforme o caso.
Estagiária sob a supervisão de Rafaela Gonçalves
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