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Por que canetas emagrecedoras nem sempre funcionam e como afetam o corpo

Resposta varia entre pacientes: falhas, efeitos colaterais e custo afetam a eficácia das canetas antiobesidade e sua adoção clínica

A microdosagem do Ozempic é nova tendência de tratamento para perda de peso — Foto: Getty Images
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  • A quebra da patente da semaglutida elevou o interesse por opções mais acessíveis das canetas antiobesidade.
  • A resposta ao tratamento varia: cerca de 14% não perderam ao menos 5% do peso no estudo STEP 1; 9,1% não responderam no SURMOUNT-1 com dose de 15 mg.
  • Fatores biológicos, clínicos e comportamentais influenciam os resultados; pessoas com diabetes costumam ter resposta de peso menor.
  • Em dose mais alta (7,2 mg) da semaglutida, a perda média de peso chegou a 18,7% em 72 semanas, ante 15,6% com dose padrão.
  • Genética pode alterar eficácia e efeitos colaterais; uso de outros medicamentos que ganham peso também interfere; se não houver resposta, deve-se revisar dose, continuidade e estratégia com o médico.

A quebra da patente da semaglutida, em março, elevou o interesse por opções mais acessíveis de canetas antiobesidade, como Ozempic e Wegovy. Contudo, os efeitos na perda de peso não são uniformes, com cerca de 10% a 14% dos pacientes não atingindo os objetivos nos primeiros meses.

A variabilidade de resposta é destacada por estudos clínicos e especialistas. Em STEP 1, 14% não perderam pelo menos 5% do peso. No SURMOUNT-1, a taxa variou conforme a dose, indo de 9,1% a 14,9%. A dosagem gradual influencia tolerabilidade e resultados.

O endocrinologista Paulo Rosenbaum explica que cada pessoa reage de modo distinto e que ajustes de dose são comuns para reduzir efeitos colaterais. Manter acompanhamento médico é essencial para sustentar a perda de peso no longo prazo e evitar interrupções.

Por trás da não resposta

A explicação envolve fatores biológicos, clínicos e comportamentais. Pacientes com diabetes costumam ter menor perda de peso, possivelmente pela resistência à insulina. Pesquisas apontam que peso inicial, idade, duração da doença e função renal influenciam os resultados.

Estudo da Diabetologia, com 4.467 adultos com diabetes tipo 2, mostrou que apenas 14% melhoraram glicose e perderam peso ao mesmo tempo. Dados sugerem que a resposta está ligada ao peso inicial e a características individuais.

A dose também importa. Em 2025, The Lancet mostrou que semaglutida de 7,2 mg supera a dose padrão na redução de peso, com média de 18,7% frente a 15,6%. Taxas maiores de perdas de 20% a 25% foram observadas com a dose elevada.

A farmacocinética, ou seja, como o身体 absorve o fármaco, influencia a eficácia. Pesquisas indicam que maior peso corporal reduz a exposição ao medicamento, contribuindo para variações na resposta clínica.

O uso de outros medicamentos pode atrapalhar. Diretrizes apontam a necessidade de reavaliar fármacos que promovem ganho de peso e, se possível, substituí-los por opções neutras ou que favoreçam a perda.

Há indícios de componente genético. Estudo da Nature identifica variante no gene do receptor GLP-1 associada a maior eficácia, além de ligações com náusea e vômito, abrindo espaço para tratamentos mais personalizados no futuro.

Quando o tratamento falha

Ao não atingir a perda de peso esperada, a primeira medida é revisar a abordagem terapêutica. Recomenda-se confirmar o ajuste de dose, se o nível recomendado foi atingido e se houve continuidade no uso.

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