- O Grupo Roncador, liderado por Peleco, vai entrar no mercado de fertilizantes ainda neste ano com um remineralizador natural extraído de minas de calcário no Mato Grosso.
- A empresa passou a investigar rochas com macronutrientes e, em parceria com a Universidade Federal de Goiás, descobriu que elas contêm potássio, magnésio, silício, fósforo e cálcio, formando o que o empresário chamou de “tabela periódica”.
- O uso do silicálcio, aplicado em lavouras de soja, mostrou custo de produção de cem mil reais por hectare maior que o cloreto de potássio, mas gerou ganho de nove a dez sacas por hectare, elevando a receita em aproximadamente mil reais por hectare.
- Em 2020 houve um teste em 500 hectares com resultados positivos; hoje o pó de rocha é utilizado em quarenta e três mil hectares na fazenda de Querência e em áreas arrendadas no Mato Grosso e interior de São Paulo.
- O grupo planeja ampliar a produção para dois milhões de toneladas por ano de silicálcio e inicia a comercialização no segundo semestre, com expectativa de ampliar alcance com a Ferrovia Estadual de Mato Grosso.
O empresário Peleco, CEO do Grupo Roncador, migrou de tecnologias voltadas ao topo do campo para soluções abaixo dele. A experiência com a fazenda de 53 mil hectares no Mato Grosso embrenhou-se na pesquisa de um remineralizador natural, extraído das minas de calcário da empresa, no contexto de um mercado de insumos instável devido a tensões geopolíticas.
O Grupo Roncador planeja iniciar, ainda neste ano, a comercialização do produto, batizado de silicálcio, resultado de análises geológicas em parceria com a Universidade Federal de Goiás. A ideia é substituir parcialmente o cloreto de potássio, insumo importado, reduzindo custos logísticos e de carbono.
Em 2020, um teste piloto com 500 hectares mostrou incremento de rendimento: nove sacas a mais de soja nas áreas que utilizaram o pó de rocha no lugar do cloreto de potássio. Desde então, a empresa ampliou os testes para diferentes concentrações do remineralizador.
Hoje, o silicálcio é aplicado em 53 mil hectares da fazenda de Querência e em áreas arrendadas no Mato Grosso e no interior de São Paulo. O custo por hectare fica próximo de R$ 700, ante R$ 463 do cloreto de potássio, com ganho adicional de 9 a 10 sacas de soja por hectare.
A implantação de tecnologias regenerativas, como a chamada sopa de floresta, acompanha o uso do silicálcio, potencializando os resultados. Em 2025, a Roncador atingiu 58 arrobas por hectare, frente a 14 em 2020, com um rebanho de cerca de 70 mil cabeças.
A operação tem raízes familiares: a fazenda, vendida pelo avô de Peleco em 2021 após a morte de Rosa Penido, ficou dividida entre Peleco e seus dois irmãos. O grupo mantém também investimentos na Raiar, empresa de ovos orgânicos, e na incorporadora Idea!Zarvos.
Para ampliar a produção, Peleco comprou duas novas licenças de exploração mineral por aproximadamente R$ 30 milhões, elevando a capacidade para 2 milhões de toneladas anuais de silicálcio. A comercialização deve ocorrer a partir do segundo semestre.
A estratégia mira ainda mais longe com a Ferrovia Estadual de Mato Grosso, cuja primeira etapa deve entrar em operação no segundo semestre. O transporte ferroviário pode ampliar o alcance do remineralizador a regiões até 1000 quilômetros de distância, impulsionando a logística de exportação.
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