- Dois cilindros de argila com inscrições em cuneiforme neobabilônico foram encontrados em Quis, no centro do Iraque, e trazem textos atribuídos a Nabucodonosor II (reinou de 605 a 562 a.C.).
- Os artefatos foram descobertos por moradores locais perto das ruínas do zigurate de Quis e já integram o acervo do Museu do Iraque, em Bagdá, com a descoberta publicada na revista Iraq.
- O conteúdo descreve a restauração de dois templos dedicados aos deuses Zababa e Ishtar, incluindo a reconstrução das paredes e a embelezamento da fachada externa do zigurate, em primeira pessoa pelo rei.
- Nabucodonosor afirma ter dado continuidade a obras iniciadas por dois monarcas anteriores e pede aos deuses vida longa e vitória sobre inimigos ao final do texto.
- Há paralelos entre a tradução dos cilindros e uma passagem do Livro de Daniel, que mostra o rei exaltando suas obras na Babilônia; Zababa é a divindade associada à guerra e protetora de Quis.
Dois cilindros de argila com inscrições foram encontrados nas proximidades das ruínas do zigurate de Quis, no centro do Iraque. Os artefatos trazem textos de Nabucodonosor II, que governou entre 605 e 562 a.C. e sitiou Jerusalém entre 589 e 587 a.C. A descoberta foi encaminhada ao Conselho Estadual de Antiguidades e Patrimônio do Iraque e já integra o acervo do Museu do Iraque, em Bagdá.
Os cilindros, escritos em cuneiforme neobabilônico, relatam a restauração de templos dedicados aos deuses Zababa e Ishtar. A narrativa descreve a reconstrução de paredes, a reparação de fachadas e a continuidade de obras iniciadas por reis anteriores, mantendo os santuários em bom estado.
Conforme a tradução publicada pela equipe de estudo, Nabucodonosor afirma ter colocado a estrutura em ordem, reconstruído setores desmoronados e embelezado a aparência externa para Zababa e Ishtar. O texto encerra com uma oração pela vida longa do monarca e pela vitória sobre inimigos.
Paralelos com Daniel
A leitura dos cilindros aponta semelhanças com uma passagem do Livro de Daniel, que descreve Nabucodonosor elogiando as obras de sua Babilônia. Na Bíblia, o rei é chamado de destruidor das nações, destacando a ambição de grandeza de seu reinado. A relação entre texto babilônico e narrativa bíblica é objeto de estudo entre especialistas.
Quis, cidade mencionada nos documentos, aparece também em tradições antigas como a “Lista dos Reis”. Embora o material não traga datações específicas, a inscrição reforça a visão de Nabucodonosor como responsável pela restauração dos templos de Zababa e Ishtar.
Jarbas Aragão, pastor, jornalista e tradutor, assina a coluna da colaboração sobre o tema. O conteúdo destaca que a descoberta amplia o diálogo entre textos bíblicos e registros arqueológicos do período neobabilônico.
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