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Estudo de longo prazo na Amazônia descarta teoria de savanização

Estudo de vinte e dois anos na Amazônia descarta savanização; floresta se recupera com restauração de espécies, se incêndios cessarem e matriz nativa for mantida

Desmatamento na fronteira entre o Cerrado e a Amazônia no Mato Grosso
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  • Estudo de 22 anos em Querência, Mato Grosso, analisou áreas da Amazônia afetadas por secas e queimadas, avaliando se haveria savanização.
  • Não houve substituição por savanas: a floresta mostrou capacidade de se recuperar, com retorno das espécies nas áreas degradadas pelo fogo.
  • Condições para a recuperação: interrupção dos incêndios e presença de matriz de vegetação nativa próxima para dispersão de sementes.
  • No experimento de 150 hectares, três parcelas de 50 hectares sofreram queimadas com frequência diferente; houve queda de biodiversidade e, em 2012, morte de 5% das árvores por ventania. Hoje, a área já apresenta cerca de 10% de gramínea, com atmosfera mais semelhante a floresta.
  • A recuperação envolve novas vulnerabilidades: a composição de espécies está em mudança, com serviços ecológicos ainda incompletos, e há pressão adicional de secas mais extremas. A região passa a ser chamada de Arco da Restauração.

Um estudo de 22 anos em Querência, Mato Grosso, avaliou os efeitos de secas e queimadas na Amazônia, em áreas pressionadas pela agricultura. Os pesquisadores acompanharam impactos no solo, na fauna e na vegetação.

A tese da savanização, defendida desde os anos 1990, foi descartada. Não houve substituição por gramíneas ou arbustos; as áreas atingidas pela queima retornaram, pela floresta, as mesmas espécies originais.

Leandro Maracahipes, pesquisador da Universidade de Yale com apoio do Instituto Serrapilheira, afirma que a floresta tem alta resiliência e capacidade de retornar aos espaços degradados. A interrupção dos incêndios é fundamental.

A preservação de florestas vizinhas também é essencial para a recuperação. Sem dispersão de sementes e sem uma matriz de vegetação nativa, a recuperação tende a ser mais lenta.

O estudo começou em 2004, em uma área de 150 hectares dividida em três blocos de 50 hectares. Dois blocos passaram por queimadas, um a cada três anos e outro anualmente até 2010; o terceiro não foi queimado.

A biodiversidade inicial sofreu empobrecimento após os incêndios. Espécies caíram 20,3% na área queimadas anualmente e 46,2% na fração atingida a cada três anos.

Em 2012, uma tempestade provocou mortalidade de 5% das árvores. Com o tempo, a floresta mostrou maior resistência às cicatrizes, ainda que a borda tenha sido mais afetada que o interior.

Hoje, a floresta não é a mesma: a composição de espécies varia entre -31,3% e -50,8% conforme o nível de fogo. A recuperação é observada, mas com mudanças estruturais.

Maracahipes explica que a floresta retorna em uma nova condição, mais vulnerável e com espécie de casca fina. A resistência a novos distúrbios depende de fatores externos e da matriz ambiental ao redor.

Além do fogo, secas mais extremas acentuam a pressão climática sobre áreas em regeneração. Mesmo com alguma hidratação das árvores, é necessário ampliar a recuperação de áreas degradadas.

Essa região, antes denominada Arco do Desmatamento, passa a ser chamada de Arco da Restauração, destacando o potencial de recuperação mediante a continuidade do manejo e da proteção da natureza.

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