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ONU aponta injustiças na mineração da transição e pede mudança de modelo

ONU alerta que mineração para energia limpa gera zonas de sacrifício, com consumo de água elevado e resíduos tóxicos que atingem comunidades vulneráveis

Campo de mineração de lítio no deserto do Atacama, no Chile.
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  • A ONU (UNU-INWEH) denuncia zonas de sacrifício na mineração para a transição energética, com impactos em territórios e populações enquanto outros lucram com tecnologias limpas.
  • O relatório aponta que os custos ficam com comunidades vulneráveis, e os benefícios vão para veículos elétricos, sistemas de energia renovável e IA.
  • Para alcançar metas do Acordo de Paris, a demanda por lítio precisaria subir nove vezes até 2040; a demanda por cobalto e níquel deveria duplicar.
  • No Salar de Atacama, no Chile, a extração de lítio responde por até 65% do consumo regional de água, com diminuição de lençóis freáticos entre 1990 e 2015.
  • Na República Democrática do Congo, 72% das pessoas próximas a minas relatam doenças de pele, 56% de mulheres e meninas têm problemas ginecológicos, e cerca de 30% dos locais de mineração empregam crianças.

A transição energética está alimentando uma corrida por minerais críticos, o que, segundo um relatório da UNU-INWEH, cria zonas de sacrifício em várias regiões. A pesquisa aponta que comunidades sofrem com consumo elevado de água, contaminação e desemprego, enquanto regiões ricas em tecnologia se beneficiam.

O estudo, divulgado nesta terça-feira, alerta para crises ambientais e de saúde não monitoradas, que podem transformar minerais em o que o petróleo foi no passado, sem regulação climática e de justiça social. A afirmação é de pesquisadores que articulam uma governança mais justa.

A produção de minerais críticos, como lítio, cobalto e níquel, tende a exigir larga quantidade de água e gera resíduos tóxicos, dizem os autores. O relatório destaca que os custos aparecem principalmente onde comunidades já enfrentam vulnerabilidade.

Dados globais e impactos

Em 2024, a produção mundial de lítio atingiu cerca de 240 mil toneladas, associada a aproximadamente 456 bilhões de litros de água consumidos. A cifra equivale ao consumo anual de água potável de cerca de 62 milhões de pessoas na África Subsaariana.

Casos regionais

No Salar de Atacama, no Chile, a extração de lítio consome até 65% da água regional, elevando pressões sobre agricultura e uso doméstico e provocando queda no lençol freático. Entre 1990 e 2015, o nível da água subterrânea teria recuado até nove metros.

Saúde e trabalho

Na República Democrática do Congo, principal produtor de cobalto mundial, 72% das pessoas próximas às áreas de mineração relatam doenças de pele, e 56% das mulheres passam por problemas ginecológicos. Cerca de 30% dos locais utilizam trabalho infantil sem proteção básica.

Desafios ambientais adicionais

Na Bolívia, a mineração de lítio em Uyuni dificulta o cultivo de quinoa, alimento essencial para comunidades locais. Globalmente, 16% das reservas ficam em áreas de alto estresse hídrico, e 54% dos minerais para a transição energética estão perto de territórios indígenas.

Resíduo e governança

Para cada tonelada de terras raras extraídas, geram-se cerca de 2 mil toneladas de resíduos tóxicos. Em 2024, esse setor produziu cerca de 707 milhões de toneladas de resíduos — equivalente a uma frota de caminhões suficiente para dar 13 voltas no Equador.

Observação final

O relatório ressalta que não se discute a necessidade de energia limpa ou infraestrutura digital. A crítica é sobre quem paga a conta e quem se beneficia do avanço tecnológico, apontando para a persistência de injustiças associadas à mineração.

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