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Como identificar o falso magro: sinais e riscos do quadro

Aparência magra pode esconder gordura visceral: com IMC normal, aumenta o risco de diabetes, hipertensão e doenças cardíacas

Um corpo magro por fora não é necessariamente saudável
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  • Pessoas magras com IMC normal podem ter gordura visceral alta, pouca massa muscular e alterações metabólicas, caracterizando o “falso magro”.
  • Esse quadro eleva o risco de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, mesmo sem ganho de peso.
  • A gordura que se acumula no fígado (esteatose hepática) pode evoluenciar para inflamação, fibrose ou cirrose, com complicações associadas.
  • A avaliação inclui circunferência abdominal, exames de glicose, colesterol e triglicerídeos, além de testes de composição corporal; a sarcopenia também é relevante.
  • O tratamento foca em melhorar a composição corporal com treino de resistência, alimentação equilibrada e, se necessário, medicações para diabetes/obesidade, priorizando mudanças no estilo de vida.

Pessoas magras às vezes escondem riscos para a saúde. O quadro, conhecido como “falso magro”, ocorre quando o IMC está dentro da faixa normal, mas há gordura visceral elevada, pouca massa muscular e alterações metabólicas relevantes. A aparência externa pode enganar.

Especialistas destacam que esse perfil aumenta o risco de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. A gordura acumulada ao redor dos órgãos é altamente inflamatória e metabólica, contribuindo para complicações futuras.

O tema, segundo o endocrinologista Marcio Mancini, é chamado de obesidade de peso normal. A distribuição da gordura, não apenas o peso, importa para a avaliação clínica.

A endocrinologista Cintia Cercato reforça que o IMC normal pode mascarar o problema. A qualidade da composição corporal é determinante para o risco global, acrescenta.

Quando a gordura se infiltra no fígado, surge a esteatose hepática, com risco de inflamação e progressão para fibrose, cirrose e até câncer. Em muitos casos, o quadro não apresenta sintomas iniciais.

O cardiologista Leandro Costa afirma que o risco cardíaco depende de múltiplos fatores, não apenas do peso. Hipertensão, colesterol alto, sedentarismo, sono irregular, estresse, tabagismo e álcool elevam a inflamação sistêmica.

Mesmo magras, pessoas podem ter probabilidade significativa de doenças cardíacas, sobretudo com acúmulo de gordura visceral e resistência à insulina. A prática de atividade física é um fator protetor independente.

O sedentarismo enfrenta a mesma relevância que a composição corporal. Segundo Costa, a capacidade funcional para exercícios ajuda a reduzir eventos cardiovasculares, independentemente do peso.

Como identificar o quadro

Avaliação de pessoas magras envolve mais que o peso. Medidas simples, como a circunferência abdominal, ajudam a levantar suspeitas, assim como exames de sangue para glicose, colesterol e triglicerídeos. Testes de composição corporal também são úteis.

Em alguns casos, exames de imagem ajudam a confirmar acúmulo de gordura no fígado. Sinais clínicos como baixa força muscular, cansaço e dificuldade em atividades diárias indicam possível sarcopenia, elevando o risco metabólico.

As causas são multifatoriais, com influência genética e, principalmente, estilo de vida. Dieta rica em ultraprocessados, excesso de açúcar e gordura, além de sedentarismo e estresse, colaboram para o desequilíbrio mesmo sem aumento de peso.

A boa notícia é que o quadro pode ser revertido. O foco deve ser a melhoria da composição corporal: reduzir gordura visceral e aumentar massa muscular, via treino de resistência e alimentação equilibrada.

Em casos com complicações metabólicas, pode haver indicação de medicamentos para diabetes ou obesidade em doses ajustadas. Contudo, as intervenções de estilo de vida são prioritárias e costumam trazer melhor resposta a longo prazo.

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