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Tecnologia brasileira ajuda a NASA a melhorar o bem-estar de astronautas

Dispositivo brasileiro monitora sono, atividade e iluminação de astronautas na Artemis 2, consolidando parceria com a NASA e impulso à inovação nacional

A tripulação da Artemis II (no sentido horário, a partir da esquerda), a especialista de missão Christina Koch, o especialista de missão Jeremy Hansen, o comandante Reid Wiseman e o piloto Victor Glover, aproveitam um momento para um abraço coletivo dentro da espaçonave Orion a caminho de casa.
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  • A NASA confirmou que a tripulação da Artemis 2 levará um actígrafo desenvolvido pela Condor Instruments, startup apoiada pelo PIPE-Fapesp.
  • O relógio‑biológico utiliza sensores de luz, temperatura e atividade para mapear padrões de sono e vigília ao longo de dias.
  • O dispositivo registra a exposição à luz em várias faixas e detalha como a luz azul‑ciano afeta a regulação do sono.
  • A iniciativa faz parte do estudo Archer, que monitora bem‑estar, atividade, sono e interações dos astronautas no ambiente da cápsula Orion.
  • A Condor Instruments exporta a maior parte de produção (aproximadamente 80%), atende mais de 40 países e mira continuar fornecendo para a NASA em etapas futuras, além da Artemis 2.

O dispositivo atua como relógio biológico portátil para a tripulação da Artemis 2. Desenvolvido pela Condor Instruments, startup paulista apoiada pelo PIPE-Fapesp, ele foi confirmado pela NASA como parte do equipamento embarcado na missão.

O actígrafo combina acelerômetros, sensores de luz e temperatura para mapear sono e vigília ao longo de dias. O objetivo é entender o relógio circadiano dos astronautas diante do ambiente sem ciclos diurnos tradicionais do espaço.

A confirmação ocorreu poucas horas antes da Orion cruzar o caminho rumo à Lua, no final de março/início de abril. O uso foi autorizado após testes e avaliações técnicas conduzidas com a participação da NASA.

O que mudou na Artemis 2 envolve a coleta de dados em tempo real sobre sono, atividade física e interações dos astronautas. A meta é aprimorar o bem‑estar e a prontidão para missões de longa duração.

Contexto científico e tecnológico

O actígrafo da Condor distingue‑se por monitorar atividade motora, exposição à luz e temperatura corporal. A medição da luz azul‑ciano influencia o estado de alerta e regula o sono, fenômeno relevante em ambientes fechados como a Orion.

A equipe de cronobiologia da USP, liderada pelo professor Mario Pedrazzoli Neto, fundamentou o desenvolvimento do dispositivo. Estudos sobre o ciclo claro‑escuro no espaço embasam a aplicação prática na missão Artemis.

Na ISS, há até 16 ciclos de nascer e pôr do sol ao dia. LEDs que simulam o dia ajudam a manter a higiene do sono e reduzir a privação. A NASA investiga ainda efeitos da cafeína e da radiação nos relógios biológicos.

Trajetória e impactos

A parceria com a NASA começou em 2023, quando a Condor Instruments foi procurada para fornecer soluções de monitoramento. O processo envolveu testes rigorosos para garantir segurança e confiabilidade no voo espacial.

Segundo o fundador da Condor, o dispositivo foi utilizado nos últimos dois anos em testes, com confirmação apenas no dia do lançamento. Hoje, a empresa exporta 80% de sua produção para mais de 40 países.

O objetivo estratégico é manter o fornecimento para futuras etapas da campanha Artemis, incluindo o pouso no polo sul da Lua, previsto para 2028. A expectativa é ampliar a cooperação com a NASA em missões subsequentes.

Relevância institucional

Pesquisadores da FAPESP destacam o caso como exemplo de inovação apoiada pelo PIPE. O financiamento inicial permitiu transformar um protótipo acadêmico em um produto comercial de alta precisão.

A experiência reforça a importância de investimentos precoces em ciência e tecnologia nacional. A parceria com a NASA demonstra como pesquisa e indústria brasileiras podem contribuir para a exploração espacial internacional.

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