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Mulher na ciência tem trabalho colocado à prova pela cultura machista

Machismo invisível coloca à prova a liderança de Ester Sabino na ciência, evidenciando barreiras persistentes e avanços em curso

Ester Sabino, doutora em imunologia e livre docência em clínica médica pela universidade de São Paulo
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  • Ester Sabino, 66 anos, pesquisadora e professora titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), participou da pesquisa Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras do Estúdio Clarice.
  • Na mesma instituição, dirigiu o Instituto de Medicina Tropical de São Paulo entre 2015 e 2019 e, em 2020, participou do sequenciamento do genoma do SARS‑CoV‑2 no Brasil.
  • Ela relata que, apesar das credenciais, um colega duvidava de sua liderança, ilustrando o machismo presente no ambiente científico.
  • A percepção do problema veio após ganhar visibilidade em 2020, quando passou a ser entrevistada e percebeu a “névoa” que dificultava enxergar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na ciência; passou a incentivar outras pesquisadoras.
  • Durante a pandemia, integrou o grupo Mulheres do Brasil, incentivado por Luiza Trajano a abrir laboratórios de sequenciamento em cada capital; desde 2021 recebeu o prêmio Ester Sabino para Mulheres Cientistas, concedido pelo Governo de São Paulo.

Ester Sabino, pesquisadora e professora titular da Faculdade de Medicina da USP, tem trajetória marcada pela ciência brasileira e por enfrentamentos ao machismo no ambiente acadêmico. Aos 66 anos, já dirigiu o Instituto de Medicina Tropical (2015-2019) e participou do sequenciamento do genoma do Sars-CoV-2 no Brasil em 2020.

A pesquisadora relata que, mesmo com conquistas, ainda enfrenta descrédito de colegas homens sobre sua atuação à frente de pesquisas. Em entrevista para o Estúdio Clarice, Sabino descreveu episódios de resistência e desconsideração ao seu trabalho ao longo da carreira.

O relato integra a pesquisa Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras, que aponta o peso do machismo estrutural na ciência. Sabino afirma que o problema é uma barreira invisível, que se evidencia pela dificuldade de ser reconhecida e ouvida.

De acordo com Sabino, a percepção de poder dentro do ambiente científico só começou a mudar após ganhar visibilidade pública em 2020, em função de entrevistas sobre o sequenciamento do genoma do coronavírus no país. Ela passou a incentivar outras pesquisadoras a ocupar espaços de influência.

Durante a pandemia, Sabino participou do grupo Mulheres do Brasil, liderado pela empresária Luiza Trajano. A proposta de abrir laboratórios de sequenciamento em todas as capitais do país foi recebida como um passo decisivo para ampliar a presença feminina na ciência.

Desde 2021, a pesquisadora é condecorada com o prêmio Ester Sabino para Mulheres Cientistas, instituído pelo Governo de São Paulo para valorizar pesquisadoras de destaque no estado. A homenageação reforça o reconhecimento institucional de mulheres em posições estratégicas.

Sabino afirma que o avanço é real, mas não suficiente. Ela defende a continuidade da formação de novas lideranças femininas e o cuidado com trajetórias de pesquisa. A cientista promete manter o compromisso com o empoderamento e o apoio a colegas em condições desiguais.

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