- Estudo publicado na Nature Communications aponta que ondas de calor fatais para pessoas podem já ocorrer ao redor do mundo, avaliando seis eventos na Ásia, Europa e Austrália que somaram oitenta mil mortes notificadas, com a combinação calor e umidade sendo mortal para pessoas acima de sessenta e cinco anos em seis horas de exposição ao sol.
- As ondas de calor tornaram-se mais intensas, frequentes e duradouras nas duas últimas décadas, atingindo principalmente áreas urbanas.
- O calor afeta desproporcionalmente idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, e no Brasil há subnotificação de mortes associadas a ondas de calor.
- Medidas para mitigar incluem sistemas de alerta, planos de ação e refúgios térmicos, além da necessidade de arborização para reduzir ilhas de calor nas cidades.
- Sinais de alerta à saúde incluem sede intensa, fraqueza, tontura e dores de cabeça; em caso de agravamento, buscar atendimento hospitalar.
A pesquisa publicada na Nature Communications aponta que condições de calor potencialmente fatais para seres humanos já ocorrem em diferentes regiões do mundo. O estudo analisa seis eventos ocorridos na Ásia, Europa e Austrália, que somaram quase 80 mil mortes notificadas. O alerta é de que a combinação de calor e umidade pode ser mortal para pessoas acima de 65 anos que permaneçam seis horas expostas ao sol.
Os autores destacam que ondas de calor se tornaram mais frequentes, intensas e duradouras nas últimas duas décadas. Em geral, os impactos atingem sobretudo áreas urbanas, onde a temperatura é mais elevada devido à infraestrutura dominante e à pouca cobertura vegetal, elevando o risco à saúde.
Calor desigual
O estudo aponta que a densidade populacional e a falta de arborização intensificam os efeitos do calor. Regiões de menor renda, com menos áreas verdes, costumam registrar temperaturas mais altas e maior vulnerabilidade.
Para entender o risco à saúde, especialistas ressaltam que idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas são os grupos mais vulneráveis diante de ondas de calor prolongadas. Em muitos casos, a mortalidade pode estar relacionada a condições associadas, não apenas ao calor direto.
Tercio Ambrizzi, professor do IAG da USP, explica que agir sobre o fenômeno demanda política pública integrada. Medidas sugeridas incluem sistemas de alerta, planos de ação e abrigo térmico para a população mais vulnerável.
As cidades, com infraestrutura de concreto e pouca arborização, funcionam como ilhas de calor, aumentando a temperatura local. A principal estratégia para reduzir impactos é ampliar áreas verdes e desenvolver políticas de mitigação que promovam resiliência urbana.
Os sinais do corpo humano também indicam quando é preciso buscar atendimento. Sintomas como sede excessiva, fraqueza, tontura e dor de cabeça podem progredir, exigindo avaliação médica caso haja piora clínica.
Sob supervisão de Marcia Avanza
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