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Contagem de multidões no show de Shakira no Rio: como funciona e por que importa

Estimativas de público para show de Shakira em Copacabana provocam debate sobre métodos de contagem, impactos econômicos e segurança

Ato de apoiadores de Bolsonaro em Copacabana foi um dos que provocou debate sobre público
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  • O show de Shakira na praia de Copacabana teve estimativa de público de dois milhões, segundo organizadores e autoridades do Rio.
  • A prefeitura informou custo de cerca de R$ quinze milhões e a estimativa de impacto econômico na ordem de oitocentos milhões de reais, segundo a SMDE e a Riotur.
  • A BBC Verify questionou a cifra, sugerindo que o público ficaria entre duzentos e sessenta mil e setecentos mil, gerando reação do prefeito Eduardo Paes nas redes sociais.
  • Técnicas de contagem incluem drones, imagens aéreas e dados de telefonia móvel, com limitações como áreas cobertas e representatividade de operadoras.
  • Especialistas alertam para a importância de combinar métodos, e destacam que números elevados podem ter componente político e influenciar planejamento de segurança e infraestrutura.

Todo o Rio de Janeiro viveu a expectativa do show de Shakira na praia de Copacabana, neste sábado. Autoridades e organizadores estimaram um público próximo a 2 milhões. O evento tem custo de cerca de R$ 15 milhões para a prefeitura e deve gerar impacto econômico de cerca de R$ 800 milhões, segundo secretarias municipais.

A contagem de multidões envolve diferentes órgãos e métodos, e não há consenso sobre a precisão. Estimativas elevadas costumam gerar debates, especialmente em contextos políticos e de planejamento urbano. Especialistas destacam a necessidade de critérios claros para evitar distorções.

Como se contam multidões

Drones, fotos aéreas e imagens de celulares estão entre as técnicas utilizadas para estimar o público. Análises de área ocupada e densidade populacional ajudam a chegar a números, mas podem subestimar ou superestimar o contingente, conforme a definição de área e a densidade considerada.

A BBC Verify revisou casos anteriores, como o show de Lady Gaga, e sugeriu estimativa bem menor do que as divulgadas. Pesquisadores ressaltam que o método depende de premissas, especialmente a densidade por metro quadrado e a extensão da área analisada.

Especialistas da USP apontam que a contagem por densidade varia muito conforme cenários. Em geral, números acima de 800 mil são improváveis para eventos com configuração semelhante. Afora a área da orla, ruas e espaços adjacentes influenciam o resultado final.

O uso de dados de telefonia móvel também é estudado como alternativa. Um único operador fornece apenas parte da base, exigindo ajuste por participação de mercado. A metodologia pode se beneficiar da combinação com imagens aéreas e dados de transporte.

Limites e implicações

Especialistas alertam que a precisão importa por questões de segurança e planejamento. Números inflados podem induzir decisões inadequadas sobre capacidade e infraestrutura, além de influenciar narrativas políticas.

Drones permitem identificar a distribuição de pessoas com maior exatidão, desde que as áreas cobertas sejam suficientes para a contagem. Já imagens diagonais tendem a superestimar a densidade, por isso o treinamento de algoritmos é essencial.

Para os pesquisadores, o objetivo é ter números comparáveis ao longo do tempo, não apenas absolutos. A adoção de métodos replicáveis facilita decisões de políticas públicas e organização de grandes eventos.

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