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Fome faz o cérebro priorizar sabor e reduzir atenção à saúde, aponta estudo

Fome altera decisões apenas no domínio alimentar: maior atenção a alimentos saborosos eleva escolhas calóricas, sem impacto em futuro ou relações sociais

Fome aumenta escolha por alimentos saborosos. (Foto: Team volunteer via Canva)
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  • Fome leva a escolhas de alimentos mais saborosos e calóricos, mesmo quando há opções mais saudáveis.
  • Em estado de fome, há maior atenção visual para alimentos apetitosos, aumentando a chance de escolha; informações de saúde costumam ser ignoradas.
  • O efeito é específico ao domínio alimentar e não altera significativamente decisões sobre recompensas futuras ou comportamentos sociais.
  • Rastreamento ocular mostrou que mais tempo olhando um alimento saboroso aumenta a chance de escolhê-lo; a fome altera o acúmulo de evidências, privilegiando o sabor.
  • A explicação é evolutiva: déficit energético prioriza calorias; para mitigar o impacto, recomenda-se não ir ao mercado com fome, manter horários regulares e planejar refeições.

A fome pode influenciar as escolhas alimentares de forma mais específica do que se esperava. Um estudo publicado na Scientific Reports, realizado por pesquisadores da Universidade de Hamburgo, traz novas evidências sobre como esse estado fisiológico atua no cérebro. A pesquisa foi divulgada em 21 de abril de 2026.

Os resultados mostram que, em estado de fome, pessoas tendem a optar por alimentos mais saborosos e calóricos, mesmo quando opções mais saudáveis estão disponíveis. O estudo identificou que a fome eleva a atenção voltada para alimentos apetitosos, aumentando a probabilidade de escolha, enquanto informações sobre saúde costumam ser ignoradas.

A pesquisa alerta que o efeito é restrito ao domínio alimentar e não se verifica em outras decisões. Testes com recompensas futuras e comportamentos sociais não mostraram mudanças significativas associadas à fome, sugerindo impulsividade limitada a contextos alimentares.

Para investigar os mecanismos, os pesquisadores usaram rastreamento ocular. Quanto mais tempo os participantes observavam um alimento saboroso, maior a chance de escolhê-lo. Modelos cognitivos indicaram que a fome favorece o acúmulo de evidências com foco no sabor, em detrimento da saúde.

Os autores defenderam uma explicação evolutiva: a déficit energético ativa mecanismos que priorizam calorias para restaurar o equilíbrio interno, sem ampliar impactos em decisões abstratas ou sociais. Esse entendimento ajuda a compreender comportamentos comuns em situações de fome.

Detalhes do estudo

O estudo envolveu adultos e utilizou tarefas de tomada de decisão sob diferentes estados de fome. Dados de rastreamento ocular foram cruciais para mostrar a relação entre atenção visual e escolha. A evidência sugere que a fome não aumenta a impulsividade de forma ampla, apenas no âmbito alimentar.

Implicações no dia a dia

As conclusões ajudam a entender por que falham escolhas saudáveis quando a pessoa está com fome. Estratégias para mitigar o efeito incluem evitar mercados famintos, manter horários regulares de alimentação e planejar refeições com antecedência.

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