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Por que o câncer no coração é mais raro? Estudo aponta explicação

Batimento cardíaco pode impedir disseminação de câncer; força mecânica influência metástases e abre caminho para novas terapias

Fotografia de um raio-x do coração.
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  • O câncer de coração é muito raro, atingindo cerca de duas pessoas a cada 100 mil por ano.
  • Em estudo publicado na revista Science, pesquisadores transplantaram corações para o pescoço de ratos para comparar com corações nativos que batiam normalmente.
  • Ao injectarem células cancerígenas, o tumor se espalhou mais no coração estático do que no coração que batia, onde apenas parte do tecido ficou cancerígena.
  • Em experiments in vitro, a disseminação tumoral aumentava quando a força mecânica aplicada às células era menor.
  • A proteína nesprin-2, localizada na membrana do núcleo, parece responder à força mecânica gerada pela batida do coração; desligar sua expressão aumentou a proliferação tumoral, sugerindo um mecanismo potencial para tratamentos futuros.

Próximo ao coração, o câncer é excepcionalmente raro. Estima-se que apenas duas pessoas em 100 mil desenvolvam câncer cardíaco por ano. Quando ocorre, a grande maioria é benigna, e a formação de tumores em tecido cardíaco é incomum.

Pesquisa publicada na revista Science avaliou por que o coração parece resistente à doença. Em camundongos, pesquisadores transplantaram corações para o pescoço dos animais, de modo que o órgão não batesse, mas continuasse a bombear sangue.

Os cientistas injetaram células cancerígenas nos dois corações de cada rato — o transplantado e o nativo. Ao longo de duas semanas, o tumor proliferou amplamente no coração transplantado, ao passo que apenas 20% do tecido cardíaco original se tornou cancerígeno.

A diferença ocorreu porque o coração que batia continuava exercendo força mecânica sobre as células. Em testes in vitro, a disseminação tumoral aumentou quando a força mecânica foi reduzida, indicando que o movimento muscular atua como barreira.

A equipe também analisou amostras de pacientes humanos com metástases cardíacas, para entender quais genes estavam ativos nas células cancerígenas. O foco foi a nesprin-2, proteína da membrana do núcleo que responde à força mecânica.

Os resultados indicam que desligar a nesprin-2 aumenta a proliferação de células cancerígenas, sugerindo um papel da mecânica do movimento na progressão tumoral. A pesquisadora Serena Zacchigna destaca que essa é a primeira evidência de que forçar o ambiente além do tumor pode influenciar o espalhamento.

Segundo os autores, a mecânica celular pode ter aplicação ampla, não se limitando ao coração. O estudo abre a possibilidade de pesquisas sobre terapias que imitem movimentos dos tecidos ou modulam a nesprin-2 para conter metástases.

Resultados do estudo

O experimento com corações transplantados mostrou clara diferença entre órgãos que batiam e os estáticos. A força do batimento reduziu a área de tecido cancerígeno no coração original.

Implicações

Os pesquisadores discutem a viabilidade de desenvolver estratégias terapêuticas que utilizem estímulos mecânicos ou a regulación da nesprin-2. O objetivo é frear a disseminação de células cancerígenas em diversos tecidos.

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