- Pesquisadores identificaram duas bactérias endofíticas, Priestia sp. T2.2 e Lysinibacillus sp. C5.11, presentes no interior das pimenteiras-do-reino, com potencial de transformar o cultivo.
- Em experimentos realizados entre 2023 e 2024 na Embrapa Amazônia Oriental, estacas da variedade Singapura tratadas com Priestia sp. T2.2 apresentaram até 75% de aumento na altura e 136% na massa seca da parte aérea, em relação ao controle.
- A Lysinibacillus sp. C5.11 deixou as raízes com 333% de crescimento na massa seca; a Bacillus sp. C1.4 também mostrou efeitos positivos, embora em menor escala.
- Os efeitos devem-se à produção de ácido indolacético (hormônio vegetal) e sideróforos, que aumentam a disponibilidade de nutrientes; próximos passos incluem testes em produtores e com outras variedades.
- A novidade é respaldada pela Lei Federal 15.070/2024, que regulamenta bioinsumos, permitindo uso agrícola de microrganismos benéficos comprovadamente seguros.
O Brasil avança na área da pimenta-do-reino com a identificação de bactérias endofíticas que estimulam o enraizamento e o crescimento de estacas. Pesquisas indicam que duas linhagens, Priestia sp. T2.2 e Lysinibacillus sp. C5.11, atuam de forma positiva na propagação da planta. Os resultados são promissores para reduzir o uso de químicos na produção.
Os experimentos realizados em Belém (PA), entre 2023 e 2024, na Embrapa Amazônia Oriental, utilizaram estacas da variedade Singapura de pimenteira-do-reino. A Priestia sp. T2.2 elevou até 75% a altura das plantas e 136% a massa seca da parte aérea, frente ao controle.
A Lysinibacillus sp. C5.11 alcançou desempenho ainda mais expressivo: crescimento de 333% na massa seca das raízes. Uma terceira linhagem, Bacillus sp. C1.4, também mostrou efeitos positivos na parte aérea, embora em menor escala.
Mecanismo de ação
Os microrganismos produzem ácido indolacético, hormônio que regula o crescimento vegetal, e sideróforos, que aumentam a disponibilidade de ferro no solo. Os testes foram conduzidos em laboratório e em casas de vegetação, simulando condições naturais.
Perspectivas para o manejo
O próximo passo envolve testes em campo com produtores e outras variedades clonais. A inoculação de microrganismos benéficos pode tornar estacas mais vigorosas, reduzir perdas no pegamento e ampliar a produtividade, mantendo a genética das matrizes.
A Embrapa aponta que a biotecnologia associada a práticas sustentáveis pode reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos. O uso de bioinsumos baseados nesses microrganismos oferece potencial para manejo mais seguro e eficiente da cultura.
Contexto econômico da pimenta-do-reino
O Brasil é o segundo maior produtor mundial, com quase 125 mil toneladas em 2024. O valor da produção subiu de R$ 1,65 bilhão para R$ 3,67 bilhões, um ganho de cerca de 122% em um ano. Espírito Santo e Pará concentram mais de 90% da safra.
O Pará, com cerca de 41 mil toneladas em 2024, destaca-se pela participação da agricultura familiar e por práticas sustentáveis. A pesquisa atual reforça o papel estratégico de pequenas propriedades na cadeia produtiva.
Regulação e próximos passos
A Lei Federal 15.070/2024 traz segurança jurídica ao setor de bioinsumos no Brasil. Linhagens como Priestia e Lysinibacillus devem ser avaliadas quanto à segurança, para uso agrícola, antes de comercialização. Pesquisadores avaliam aplicações futuras em manejo da cultura.
Os pesquisadores destacam que a verificação em campo, com diferentes condições de cultivo e novas variedades, é essencial. Também é importante avaliar sistemas de cultivo alternativos, como tutor vivo de gliricídia, para suportes da planta.
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