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Pesquisa indica ideação suicida em quase 1 em cada 5 universitários

Quase um em cinco estudantes universitários revela ideação suicida; depressão, ansiedade e solidão elevam o risco, segundo estudo brasileiro

Fotografia de uma universitária estudando cansada.
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  • Em estudo com 3.828 universitários brasileiros, 18,86% relataram ideação suicida nas últimas duas semanas.
  • A ideação vai além da depressão: solidão, histórico de maus-tratos emocionais na infância e otimismo também são importantes para entender o risco.
  • O otimismo aparece como fator de proteção: quanto maior, menor a probabilidade de ideação suicida.
  • Maus-tratos emocionais na infância contribuíram com cerca de 22% do peso explicativo do modelo utilizado na pesquisa.
  • Os resultados reforçam que a avaliação de risco deve considerar múltiplos fatores psicossociais; estudo realizado por pesquisadores da UFF, UFRJ e Uerj, publicado no Lancet Regional Health – Americas.

O estudo aponta que quase 1 em cada 5 universitários brasileiros avalia ter ideação suicida. Entre graduandos, 18,86% relataram pensamentos de morrer ou ferir-se nas últimas duas semanas. O trabalho vai além da depressão como único fator de risco.

Pesquisadores da UFF, UFRJ e Uerj investigaram fatores psicossociais de vulnerabilidade e proteção. O objetivo foi compreender ideação suicida a partir de dimensões como solidão, otimismo e histórico de maus-tratos na infância, além da depressão.

A amostra contou com 3.828 participantes, recrutados por e-mails e redes sociais. Predomínio de mulheres e jovens de 18 a 39 anos; a maioria branca. Dados demográficos foram autorrelatados, seguindo padrões oficiais.

O estudo faz parte do PSIcovidA, projeto longitudinal sobre saúde mental na comunidade acadêmica. Ao final, voluntários receberam orientações e contatos de apoio psicológico.

A análise utilizou técnica de aprendizado de máquina, com o modelo MKL. Variáveis incluídas: depressão, solidão, otimismo e experiências adversas na infância.

Resultados mostraram que a depressão é o principal preditor, mas outros fatores contribuíram significativamente. Otimismo teve efeito protetor, reduzindo a chance de ideação suicida.

Maus-tratos emocionais na infância responderam por parte relevante do peso do modelo, evidenciando impactos duradouros na saúde mental. Solidão também foi considerada fator relevante, principalmente pela percepção de pertencimento.

As conclusões indicam que avaliar risco não deve depender apenas da depressão. Políticas universitárias devem incluir rastreamento amplo, intervenções que promovam otimismo e redes de apoio psicológico.

Limites do estudo incluem o delineamento transversal e a amostra específica da vida acadêmica durante a pandemia. Ainda assim, a pesquisa reforça a necessidade de ações contextuais para a realidade brasileira.

Pesquisadores envolvidos incluem Priscila Fonseca, Débora Saade, Isabel David, Eliane Volchan, Fátima Erthal, entre outros. Financiamento veio da FAPERJ e da Capes.

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