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Vacina demonstra eficácia contra células tumorais associadas ao HPV

Imunizante terapêutico contra cânceres ligados ao HPV mostra eficácia pré-clínica, elevando até oito vezes a detecção de tumores pelas defesas

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  • Vacina terapêutica baseada em fragmentos do HPV mostrou eficácia contra células tumorais em estudo pré-clínico da Universidade Northwestern, publicado na Science Advances.
  • O imunizante N-HSNA aumentou em até oito vezes a capacidade do sistema imune de reconhecer e atacar células cancerosas associadas ao HPV.
  • Resultados, testados em camundongos e em células humanas in vitro, mostraram prolongamento da sobrevida e redução de tumores, especialmente quando combinado com imunoterapia.
  • A vacina é voltada a tumores causados pelo HPV, como colo do útero, ânus, vulva, vagina, pênis, boca e garganta; estima-se que cinco por cento dos cânceres no mundo estejam ligados ao vírus.
  • Ainda são dados pré-clínicos; é preciso testar em humanos em três fases para confirmar eficácia e segurança antes de eventual aplicação clínica.

Um estudo pré-clínico desenvolvido na Universidade Northwestern, nos EUA, aponta que uma vacina terapêutica baseada em fragmentos do HPV pode fortalecer a resposta imune contra células tumorais associadas ao vírus. O imunizante mostrou aumentar até oito vezes a capacidade das defesas de reconhecer e eliminar tumores em modelos animais e em testes in vitro.

O composto em avaliação, denominado N-HSNA, trabalha ao apresentar aos componentes do sistema imune um fragmento proteico derivado do HPV presente também nas células cancerígenas. A estratégia difere da vacinação preventiva contra o HPV, buscando atacar tumores já existentes causados pela infecção.

Em camundongos, a imunização prolongou a sobrevida e reduziu o tamanho dos tumores, especialmente quando associada a terapias medicamentosas já utilizadas. Estudos indicam que, ao combinar imunoterapia com o tratamento, a resposta antitumoral é potencializada.

A pesquisadora Ana Karolina Marinho analisa que a imunoterapia treinaria células de defesa para reconhecer partículas virais expressas nas células tumorais, funcionando como óculos que destacam as células doentes para ataque dirigido. O estudo reforça o potencial da abordagem terapêutica.

O foco está em tumores ligados ao HPV, incluindo cânceres de colo do útero, ânus, vulva, vagina, pênis, boca e garganta. Acesso global aponta que cerca de 5% dos casos de câncer estão relacionados ao HPV, o que reforça o interesse em novas opções de tratamento.

A equipe ressalta cautela na aplicação em humanos. Estudos pré-clínicos indicam avanços, mas é necessário testar a segurança e eficácia em fases clínicas com voluntários, envolvendo várias etapas de avaliação de resposta e efeitos colaterais. A confirmação em pessoas é indispensável.

> Mudança de tema: HPV e cânceres relacionados

Existem mais de 200 tipos de HPV, sendo 16 e 18 os mais associados a cânceres, sem, em geral, apresentar verrugas visíveis. O vírus pode permanecer nas células, promovendo transformações que levam ao tumor.

A ideia é que, ao treinar a resposta imune com o fragmento viral, o sistema de defesa identifique e combata as células cancerosas que expressam a proteína do HPV. A combinação com tratamentos atuais, como radioterapia ou quimioterapia, pode ampliar a eficácia terapêutica.

A vacina terapêutica ainda depende de validação clínica, mas pesquisadores destacam o papel de ferramentas imunológicas para complementar as estratégias existentes de combate ao câncer relacionado ao HPV. A vacinação preventiva continua fundamental na redução do risco de infecção.

No Brasil, a vacinação contra o HPV já está disponível e é amplamente recomendada para prevenção. A proteção alcançada depende da aplicação precoce, antes do contato com o vírus, além de manter as campanhas de imunização atualizadas.

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