- Brasil e Alemanha firmaram, no fim de abril, um acordo para devolver ao Brasil o crânio do dinossauro Irritator challengeri, extraído ilegalmente do Cariri e mantido na Alemanha desde 1991.
- O fóssil deverá seguir para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, da Universidade Regional do Cariri, em Santana do Cariri, Ceará, após os trâmites logísticos.
- Irritator viveu entre 110 e 113 milhões de anos atrás, no Cretáceo, na Chapada do Araripe; é do grupo dos espinossaurídeos, e seu crânio é o mais completo já encontrado da família.
- A peça foi contrabandeada do Brasil e, posteriormente, adulterada para parecer mais completa, com o focinho alongado e preenchido com gesso e massa automotiva. A fraude motivou o nome da espécie.
- A repatriação tem apoio da comunidade científica brasileira, que se mobilizou desde a campanha liderada pela paleontóloga Aline Ghilardi e contou com apoio internacional de especialistas e petição pública.
O crânio de um dinossauro do período Cretáceo, conhecido como Irritator challengeri, será devolvido ao Brasil após acordo entre Brasil e Alemanha. O fóssil, retirado ilegalmente do Cariri cearense, ficou décadas em solo europeu antes de chegar ao museu de Stuttgart, na Alemanha, em 1991.
A decisão foi anunciada no fim de abril, com a assinatura de um acordo entre o presidente Lula e o chanceler alemão Friedrich Merz. O documento também conta com a anuência do governo do Estado de Baden-Württemberg e do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart para entregar o fóssil ao Brasil.
O Irritator viveu entre 110 e 113 milhões de anos atrás, no que hoje é a Chapada do Araripe, no Ceará. Pertence a espinossaurídeos, dinossauros carnívoros que habitavam ambientes aquáticos. O crânio é considerado o mais completo já encontrado na família no mundo.
O fóssil foi adquirido de forma ilegal por um comerciante particular e repassado ao museu alemão em 1991, violando a legislação brasileira de 1942 que classifica fósseis como bens da União e proíbe exportação sem autorização. Estudos realizados na década de 1990 revelaram adulteração no fósseis para torná-lo mais valioso no mercado.
A mobilização pela devolução ganhou impulso após o caso do dinossauro Ubirajara jubatus, repatriado ao Brasil em 2023. A comunidade científica brasileira organizou campanhas, lideradas pela paleontóloga Aline Ghilardi, com apoio internacional de 263 pesquisadores e uma petição com mais de 34 mil assinaturas.
Após o retorno ser confirmado, o fóssil passará por procedimentos logísticos antes de chegar ao Ceará. O destino final será o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, ligado à Universidade Regional do Cariri, em Santana do Cariri.
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