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Expansão do comércio de vida selvagem aumenta vias de transmissão de doenças

Estudo de quarenta anos conclui que o comércio global de mamíferos, legal e ilegal, aumenta o risco de patógenos transmitirem-se a humanos

This red-tailed monkey was photographed at a hotel in the Democratic Republic of Congo.
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  • Um estudo avaliou o comércio global de mamíferos, legais e ilegais, nos últimos quarenta anos, para entender riscos de patógenos pularem para humanos.
  • Entre duas mil e setenta e nove espécies de mamíferos analisadas, quarenta e um por cento podem transmitir ao menos um agente zoonótico; apenas seis vírgula quatro por cento das não vendidas carregam patógenos zoonóticos.
  • Mesmo ajustando por parentesco, localização e contato com pessoas, mamíferos comercializados aparecem, em média, cinquenta por cento mais propensos a abrigar patógenos que podem infectar humanos.
  • O comércio legal movimenta cerca de duzentos e vinte bilhões de dólares por ano, segundo o Cites; o ilegal chega a até vinte e três bilhões de dólares.
  • Os resultados desafiam suposições comuns: não há diferença significativa no risco entre espécies comerciadas legalmente e ilegalmente, apontando necessidade de vigilância mais ampla e cooperação internacional para reduzir spillover.

A expansão do comércio de vida selvagem, legal e ilegal, eleva as oportunidades de contato entre animais, patógenos e pessoas. Pesquisadores analisaram registros de comércio de milhares de espécies ao longo de 40 anos, com foco em mamíferos, para entender riscos à saúde pública.

A equipe, formada por ecólogos, especialistas em comércio de animais e epidemiologistas, utilizou dados de CITES, LEMIS, registros de apreensões e CLOVER, adotando a abordagem One Health. O objetivo foi mapear como o fluxo global de mamíferos pode facilitar spillover de doenças.

O que mostrou o estudo

Entre 2.079 espécies estudadas, 41% poderiam transmitir ao menos uma doença a humanos; 6,4% dessas possuíam patógenos zoonóticos sem relação com venda. Mesmo considerando parentesco, locais de origem e contato com pessoas, animais comercializados tiveram 50% mais chance de abrigar patógenos.

Comércio legal vs ilegal

Os dados indicam que a trade legal e a ilegal não diferem significativamente na propensão a portar patógenos zoonóticos. O estudo aponta que o comércio legal pode incluir atividades cotidianas, como a venda de aves de estimação, que também elevam riscos à saúde.

Tempo no comércio e risco

Ao analisar 583 espécies listadas pelo CITES entre 1980 e 2019, concluiu-se que quanto mais tempo um animal permanece no comércio global, maior a probabilidade de portar patógenos. A cada década, a espécie pode ganhar um patógeno adicional com potencial de infectar pessoas.

Limites dos dados e interpretações

Especialistas ressaltam que os resultados dependem de dados com lacunas geográficas e temporais. Redes de comércio doméstico e regional são amplamente documentadas de forma insuficiente, o que restringe a leitura completa do risco.

Exemplos históricos e medidas

Casos passados, como a epidemia de mpox nos EUA em 2003, mostram que patógenos podem emergir a partir de animais importados para diferentes estados. O estudo incentiva vigilância mais próxima do comércio de vida selvagem em todas as suas formas, além de cooperação internacional.

Conclusões e próximos passos

Os autores destacam que o trabalho não mapeia todo o comércio mundial nem prevê futuros surtos. Reduzir spillover exige monitoramento mais abrangente, compartilhamento de dados e cooperação entre países, sem depender apenas de mecanismos de conservação.

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