- Milton Santos (1926-2001), baiano, negro e neto de escravizado, ganhou em 1994 o prêmio Vautrin Lud, considerado o Nobel da geografia, sendo o único pesquisador latino-americano a recebê-lo.
- Destacou-se pela ideia dos “Quatro Brasis”, divisão do Brasil em Amazônia, Nordeste, Centro-Oeste e região concentrada (Sul e Sudeste).
- Suas obras mais conhecidas incluem O Espaço Dividido e Zona do Cacau, com abordagem da globalização a partir das periferias.
- Teve carreira internacional, atuando na França, Canadá, Estados Unidos, Venezuela, Peru e Tanzânia; manteve relação próxima com Noam Chomsky e, no Brasil, lecionou na USP a partir de 1984.
- Hoje, sua influência é reconhecida mundialmente, com traduções de obras e debates sobre globalização, desigualdades e espaço geográfico como sistema de objetos e ações.
Milton Santos, um dos maiores geógrafos brasileiros do século XX, completaria 100 anos nesta semana. Nascido em Brotas de Macaúbas, Bahia, ele era negro e neto de um escravizado, e ganhou notoriedade global ao receber o prêmio Vautrin Lud em 1994, considerado o Nobel da geografia. Até hoje, é o único latino-americano laureado.
O pesquisador foi reconhecido pela contribuição transversal à geografia e às ciências sociais. Estudou urbanização no Terceiro Mundo e a globalização, apresentando um método próprio para compreender o espaço como sistema de objetos e ações. Sua obra dialoga com várias áreas, além da geografia.
Quatro Brasis: a proposta de regionalização do Brasil
Santos formulou a ideia dos Quatro Brasis, dividindo o território brasileiro em Amazônia, Nordeste, Centro-Oeste e a região concentrada. A regionação leva em conta infraestrutura, redes de informação, mercadorias, capitais e pessoas, refletindo contrasted realities regionais.
Segundo o geólogo Marco Moraes, a divisão evidencia desigualdades entre estados e elites, mostrando a geografia como palco de relações de poder. A proposta amplia a leitura do Brasil para além da paisagem, incluindo dinâmica econômica e social.
Biografia e trajetória acadêmica
Nascido na Chapada Diamantina, ingressou no Instituto Baiano de Ensino ainda jovem. Formou-se em direito pela UFBa em 1948, mas atuou como professor de geografia e jornalista. Em 1958 defendeu o doutorado em Estrasburgo, na França, e ganhou reconhecimento com a obra *O Espaço Dividido*, de 1979.
A carreira levou Santos a atuar no exterior, em França, Canadá, EUA e Venezuela. Durante o exílio, consolidou parcerias com acadêmicos de renome, incluindo Noam Chomsky, e reforçou sua atuação como consultor público no Brasil.
Legado e recepção internacional
Especialistas destacam a relevância de suas ideias para entender a globalização e as desigualdades entre centro e periferia. A visão de Santos sobre espaço geográfico como sistema dinâmico se manteve atual, influenciando estudos de urbanização, políticas públicas e geografia crítica.
Pesquisadores brasileiros ressaltam que ele ajudou a humanizar a globalização, enfatizando periferias, direitos humanos e políticas sociais. Em traduções e coletâneas, sua obra ganhou visibilidade em inglês, fortalecendo o diálogo internacional sobre Brasil e mundo globalizado.
Negritude e ciência
A obra de Santos não centralizou a raça, mas sua condição de intelectual negro moldou sua leitura de território, raça e desigualdades. Reconhecido por defender cotas como instrumento de inclusão, ele defendia ações complementares que promovam mobilidade, educação e bem-estar para populações negras e desfavorecidas.
A visão integrada de sociedade, território e economia o tornou uma referência para entender as contradições da globalização e a construção de políticas públicas orientadas a direitos sociais.
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