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USP identifica rede de autoanticorpos associada a doenças neurodegenerativas

Estudo da USP identifica rede de autoanticorpos em Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla, sugerindo ataque sistêmico às redes neurais e novas estratégias terapêuticas

Representação do corpo humano e de rede de autoanticorpos - (crédito: Julien Tromeur/Pixabay)
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  • Estudos da USP identificam redes de autoanticorpos em Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla, sugerindo desregulação sistêmica além do cérebro.
  • A pesquisa analisou seiscentas amostras de sangue de pacientes e de pessoas sem as doenças, publicada na revista iScience.
  • Foram mapeados mais de nove mil autoanticorpos, indicando ataque do sistema imune a várias conexões neurais.
  • Propõe-se que tratamentos priorizem o bloqueio da resposta autoimune de forma sistêmica, ainda sem confirmação em testes in vitro e in vivo.
  • Pesquisadores ressaltam que neuroinflamação e desregulação neuroimune conectam as três doenças, influenciando a progressão clínica.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificou redes de autoanticorpos associadas a doenças neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla. A pesquisa aponta que a desregulação imune pode influenciar de modo sistêmico as conexões neurais, não se restringindo ao sistema nervoso central.

A análise, publicada na revista iScience, envolveu 600 amostras de sangue de pacientes com e sem as doenças citadas. Os autores mapearam mais de 9 mil autoanticorpos a partir de bancos de dados públicos, buscando padrões que expliquem a progressão das condições.

Segundo a pesquisadora Júlia Nakanishi Usuda, bolsista da FAPESP e primeira autora, trata-se de um ataque sistêmico do sistema imune, atingindo diversas regiões da rede neural. A comparação ajuda a entender por que a neurodegeneração avança mesmo quando apenas algumas vias parecem afetadas.

Panorama de resultados

Os cientistas identificaram assinaturas distintas de autoanticorpos nos três transtornos estudados. Essas assinaturas se relacionam ao estado imunológico, aos danos neurológicos e aos sintomas característicos de cada doença.

Implicações para tratamento

Os resultados sugerem reorientar estratégias terapêuticas para bloquear a resposta autoimune de forma sistêmica, em vez de mirar apenas alvos moleculares isolados. Ainda são necessários testes in vitro e in vivo para confirmar as descobertas.

Contexto científico

O estudo conta com a coordenação de Otávio Cabral-Marques, da Faculdade de Medicina da USP. A equipe enfatiza a importância de investigar como a neuroinflamação e a resposta imune influenciam o declínio neurológico em várias doenças.

Próximos passos

Os autores defendem a validação adicional das assinaturas de autoanticorpos e a avaliação de intervenções que modulam a atividade imune em um espectro mais amplo. A pesquisa contribui para o entendimento de mecanismos que podem unificar diferentes síndromes neurodegenerativas.

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