- Em 2023, cerca de 11 milhões de mulheres no Brasil sofreram violência de parceiro íntimo, entre 10% e 14% da população feminina acima de 15 anos.
- Globalmente, 608 milhões de mulheres com 15 anos ou mais já passaram por violência de parceiro; 1,01 bilhão de pessoas relatam violência sexual na infância.
- A violência deixa efeitos duradouros, somando 18,5 milhões de anos de vida perdidos por doenças ou morte entre mulheres em 2023.
- No Brasil, 64,2% das vítimas são mulheres negras; a subnotificação e o fato de o agressor muitas vezes ser próximo impedem o pleno registro dos casos.
- Especialistas destacam a violência como epidemia silenciosa que requer respostas estruturais de prevenção, proteção e autonomia para romper o ciclo.
Cerca de 11 milhões de mulheres no Brasil sofreram violência de parceiro íntimo em 2023, segundo o estudo Global Burden of Disease, publicado na The Lancet. A projeção envolve 10% a 14% das brasileiras com 15 anos ou mais, apontando para um patamar ainda elevado de incidência no país.
Globalmente, o levantamento aponta 608 milhões de mulheres nessa faixa etária que já vivenciaram violência de parceiro. O estudo também indica que, entre homens e mulheres, 1,01 bilhão relatam violência sexual na infância, evidenciando consequências duradouras para a saúde.
No Brasil, a violência de gênero é mais comum em áreas com desigualdades profundas. Dados indicam que 64,2% das vítimas são mulheres negras, destacando o papel da racialização na exposição ao risco. A subnotificação permanece como desafio metodológico relevante.
Impactos na saúde e consequências
Em 2023, a violência por parceiro íntimo somou 18,5 milhões de anos de vida perdidos por doenças ou morte entre mulheres. A violência sexual infantil aparece com 32,2 milhões de casos, tornando-se um fator de risco significativo para jovens entre 15 e 49 anos.
Os especialistas ressaltam que os efeitos vão além do episódio isolado. Depressão, ansiedade, automutilação e uso de substâncias aparecem como desfechos comuns, com impactos que se acumulam ao longo do tempo e afetam diversas trajetórias de vida.
Para a comunidade científica brasileira, a persistência do problema sugere que a violência não pode ser tratada como evento único. A pesquisadora Juliana Brandão aponta que o fenômeno é estrutural e requer respostas estruturais, não apenas medidas pontuais.
Panorama e caminhos
Pesquisadores da USP destacam que visões de longo prazo mostram uma tendência estável de violência no Brasil, especialmente em contextos urbanos e com vulnerabilidades econômicas. O foco passa a ser prevenção, proteção e autonomia para romper ciclos de violência.
Especialistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública defendem políticas integradas que ataquem as desigualdades que alimentam o problema. Sem ações que assegurem condições reais de ruptura do ciclo, o padrão tende a se repetir, alertam.
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