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Médicos explicam o que você precisa saber sobre cannabis e saúde

FDA aprova medicamentos com cannabis; a dor surge como benefício mais consistente, mas riscos cardíacos e psiquiátricos exigem cautela médica

Nada Hayek/NYT
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  • A Food and Drug Administration aprovou alguns medicamentos com cannabis ou seus componentes, para tratar náuseas da quimioterapia, emagrecimento relacionado à AIDS e um tipo de convulsão; a evidência mais forte continua sendo para alívio da dor.
  • Entre quem usa cannabis por saúde, cerca de metade declara fazê-lo para dor; médicos observam que pode moderar a dor, melhorar o humor, o sono e a qualidade de vida, mas não substitui tratamentos de primeira linha.
  • Há poucas evidências sólidas de benefício para outras condições como PTSD, doença de Parkinson, glaucoma e ELA; a ansiedade é outra motivação comum, embora haja conflitos entre organizações médicas sobre eficácia e riscos.
  • A potência da cannabis aumentou com o tempo, com concentrações de THC mais altas (em alguns produtos até 40%), o que eleva o risco de transtorno por uso.
  • Quem usa deve conversar com o médico: pode haver interações com anticoagulantes, antidepressivos e analgésicos; estudos associam uso a riscos de doença cardiovascular e transtornos psicóticos, especialmente com uso frequente ou de longo prazo.

A FDA aprovou diversos medicamentos que contêm cannabis, componentes da planta ou produtos sintéticos semelhantes, para tratar náuseas de quimioterapia, síndrome de emagrecimento associada à AIDS e convulsões. Pesquisas destacam o potencial da cannabis para alívio da dor, utilizado por cerca de metade dos pacientes que relatam uso por motivos de saúde.

Especialistas apontam que, apesar de moderação na dor, não há evidência de benefício em todas as condições. Sociedades médicas ressaltam risco de efeitos colaterais como tontura, sonolência e náusea, e recomendam cautela para uso prolongado ou como primeira opção terapêutica.

A potência dos produtos disponíveis hoje é maior. Analises indicam aumento significativo de THC desde 1995, com concentrados de até 40% de THС. Esse incremento é associado a maior risco de transtorno por uso, principalmente entre usuários frequentes.

EVIDÊNCIAS E POTENCIAL RISCOS

Além da dor, ansiedade é uma das razões mais citadas para uso medicinal, ainda que haja dúvidas sobre eficácia para doenças psiquiátricas. Entidades que atuam na área alertam para a relação entre uso e crise de saúde mental, especialmente em jovens.

A insônia também é alvo de uso, porém as evidências de melhora são limitadas e sociedades médicas costumam desencorajar o uso para sono. Em termos gerais, a literatura não estabelece causalidade entre cannabis e benefício estável para várias condições.

RECOMENDAÇÕES PARA USUÁRIOS E RESTAS CONSIDERAÇÕES

Usuários devem conversar com médicos sobre interações com anticoagulantes, antidepressivos e analgésicos. Estudos associam uso a maior risco de doença cardiovascular, derrames e ataques cardíacos, aumentados pela frequência e pela dose de THC.

Riscos genéricos incluem transtornos de uso, piora de problemas de saúde mental e efeitos adversos na saúde materno-infantil, caso haja gestação. Profissionais lembram que o consumo pode atravessar a placenta e alcançar o bebê, independentemente do modo de uso.

O QUE A CONVERSA COM O MÉDICO PODE AJUDAR

A orientação médica pode ajudar a monitorar efeitos de curto e longo prazo, avaliar necessidades terapêuticas e ajustar tratamentos concomitantes. A maioria dos estudos observa associações, não causalidade, entre uso de cannabis e alterações na saúde.

Quem tem fatores de risco — início na adolescência, histórico familiar de uso de substâncias ou depressão — pode ter maior probabilidade de transtorno por uso. Dados canadenses indicam relação entre uso frequente e maior risco de mortalidade por diferentes causas.

FATORES A CONSIDERAR

Medicamentos com cannabis podem gerar mudanças no humor, sono e bem-estar. Em geral, profissionais enfatizam abordagem cautelosa, priorizando evidências sólidas e individualizando decisões terapêuticas para cada paciente, sem prometer benefícios para todas as condições.

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