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Quão fácil é mudar o seu sotaque?

Pesquisas revelam que imitar sotaques é complexo; agilidade da fala, ouvido musical e abertura a novidades ajudam, com prática

Serenity Strull/ BBC/ Getty Images A collage showing a woman wearing a t-shirt with a map of Cincinnati on it, holding her hand to her ear while another person's mouth appears to speak to her (Credit: Serenity Strull/ BBC/ Getty Images)
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  • Pesquisadores da Universidade de Connecticut investigaram como algumas pessoas imitam sotaques e quais fatorespredizem essa habilidade, com 92 moradores de inglês norte-americano que tentaram imitar sotaques de Yorkshire, Edimburgo e Eastern Cape.
  • O melhor indicador foi o desempenho em trava-línguas, seguido da habilidade musical e do traço de personalidade abertura a novas experiências.
  • Estudos sugerem que ouvir repetidamente um sotaque facilita a compreensão e reduz o esforço ao longo do tempo, e há possibilidade de imitação inconsciente em some casos.
  • A produção do sotaque envolve ajustar articuladores, voz e respiração, como mover a língua para trás na boca para soar mais americano, segundo as pesquisadoras.
  • As pesquisadoras destacam que habilidades atribuídas ao ensino de drama já treinam esses aspectos, mas ainda não é claro se os traços causam melhor imitação ou se outros fatores influenciam.

O estudo explora como algumas pessoas conseguem imitar sotaques com mais facilidade e quais fatores influenciam esse processo. A pesquisadora Jennifer Scapetis-Tycer, professora associada de voz e dialetos, abriu uma conversa com a jornalista sobre o tema e conduziu uma sessão prática de imitação de sotaque.

A pesquisadora está no University of Connecticut e coordenou o estudo com Emily Myers, da mesma instituição. O objetivo é entender por que algumas pessoas se destacam na imitação de sotaques, usando amostras de Yorkshire, Edimburgo e o Eastern Cape, na África do Sul.

A experiência envolveu uma tentativa prática de falar com um sotaque americano, com foco no General American de Cincinnati. A participante inicial é uma jornalista, que vive na Inglaterra, sem experiência prévia com sotaques norte-americanos.

Descobertas-chave

Entre os fatores avaliados, a rapidez de movimentação articulatória, medida em testes de trava-línguas, destacou-se como o melhor preditor de desempenho na imitação de sotaques. A aptidão musical também correlacionou-se com melhor aproveitamento do exercício, segundo os pesquisadores.

Além disso, traços de personalidade ligados à abertura para novas experiências mostraram relação com a habilidade de imitar sotaques. Extravertidos não foram identificados como vantagem definida. Os resultados sugerem que treino de articulação e percepção auditiva são caminhos-chave no aprendizado.

Implicações pedagógicas e próximos passos

As pesquisadoras destacam que muitas habilidades analisadas já são trabalhadas em departamentos de drama, como articulação, ritmo e percepção de tom. Questionam se os traços observados causam a facilidade ou apenas se associam a ela, e sugerem que mais estudos confirmem relações causais.

Scapetis-Tycer revela que também desenvolveu suas próprias habilidades de imitação ao longo da carreira, revelando o caráter experimental do estudo. Os autores planejam ampliar a amostra e investigar aplicações práticas no ensino de sotaques.

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