- O mar Cáspio, maior corpo de água interior do mundo, está encolhendo rapidamente desde os anos noventa, com projeções de recuo de até 21 metros neste século.
- Os efeitos já aparecem: queda de ecossistemas, impactos na saúde humana e na atividade econômica, e pesca menos viável, especialmente na região norte.
- As causas combinam mudanças climáticas (mais evaporação) com redução de água doce na bacia do Volga, agravada por manejo hídrico e menor volume de chuvas.
- Portos precisam de dragagem constante para manter o acesso de embarcações; áreas antes rasas ficam secas, prejudicando habitats e a pesca local.
- Há temor de que o Cáspio siga o destino do Mar de Aral, com consequências climáticas regionais e poeira exumando o leito exposto, exigindo cooperação internacional rápida.
O mar Cáspio, o maior corpo de água interior do mundo, enfrenta queda acentuada no nível. Desde a década de 1990, especialistas apontam uma tendência irreversível, com projeções de recuo de até 21 metros ao longo deste século. O avanço pode provocar mudanças ambientais significativas e impactos na economia regional.
A jornalista ambiental iraniana Maryam, por anos marcada pela proximidade com o Cáspio, registrou mudanças visíveis na região norte do Irã. Em visita recente, o cenário à sua frente não se igualou ao que lembrava da infância, com a água alcançando apenas os joelhos em parte do litoral.
A região envolve Irã, Rússia, Azerbaijão, Turcomenistão e Cazaquistão, países que cobrem a costa do Cáspio. Cientistas destacam que a queda atual, alimentada por alterações climáticas, tende a continuar, independentemente de medidas locais de manejo hídrico.
Causas e dinâmica climática
Diversos fatores explicam a retração do Cáspio. Embora dezenas de rios contem com o Cáspio, a maioria da água doce provém do norte, especialmente do Volga. Repressões, irrigação e manejo hídrico ao longo da bacia alteraram o fluxo, mas o quadro atual envolve também mudanças climáticas.
O aumento da temperatura global eleva a taxa de evaporação, enquanto a redução de chuvas diminui a reposição de água. Assim, mais água evapora do que retorna ao mar, ampliando o déficit hídrico ao longo do tempo.
Impactos no ecossistema e na economia
Na região norte, a menor profundidade dificulta a pesca, prejudicando comunidades e atividades portuárias. Grandes áreas que já foram abrigo natural de espécies sofrem com o recuo do nível, alterando habitats e cadeias alimentares.
Ao sul, mercados pesqueiros locais reportam retração na atividade comercial, com mudanças visíveis na vida cotidiana de comunidades litorâneas. Litoral antes próximo do comércio hoje já se encontra mais distante seja da água ou de áreas de uso público.
Perspectivas e necessidade de cooperação
Especialistas apontam que, sem ações coordenadas, o Cáspio pode seguir caminho semelhante ao do Aral, que secou após desvios de rios importantes. A consequência envolve alterações climáticas locais, poeira e impactos à saúde ambiental.
A resposta política atual é considerada insuficiente por muitos pesquisadores. A cooperação entre os cinco países costeiros é vista como fundamental para pesquisas, planejamento e adaptação de longo prazo, com foco em ecossistemas e economia regional.
Fontes de referência indicam que as políticas públicas devem acompanhar a velocidade das mudanças ambientais, com investimentos contínuos em ciência, monitoramento e estratégias integradas de gestão hídrica.
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