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INPO prevê gêmeo digital do Atlântico Sul ativo em até 5 anos

Inpo avança com gêmeo digital do Atlântico Sul, em parceria com a Mercator; operação prevista para 2030, com dados abertos para monitoramento e políticas públicas

Tela exibida durante evento do Inpo, no Rio, para divulgação do projeto do 'gêmeo digital' do oceano. Meta é receber informações em tempo quase real.
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  • Inpo avança para o gêmeo digital do Atlântico Sul, parceria com a União Europeia, com a meta de ter uma base de dados em cinco anos para leituras e previsões na costa brasileira e na América do Sul.
  • Mercator International apresenta as funcionalidades previstas; operação europeia do sistema está prevista para 2030 e a instituição contribui com o monitoramento dos oceanos para a agência Copernicus.
  • A plataforma pode rastrear lixo plástico quase em tempo real, simular impactos da mineração submarina, além de otimizar rotas, reduzir consumo de combustível e prever desastres ambientais.
  • Inpo assinou acordo de intenção com a Mercator; o financiamento deve vir de União Europeia, Brasil e patrocinadores, com metas de entregas ainda a serem definidas.
  • O sistema da Mercator monitora trinta variáveis oceânicas a cada dois minutos, a partir de cerca de dez bilhões de pontos de dados; no Brasil, quase três mil usuários já utilizam a plataforma gratuitamente.

Em evento no Rio de Janeiro, o Inpo (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas) confirmou avanço na construção do gêmeo digital do Atlântico Sul, em parceria com a União Europeia. A base de dados prevista permitirá leituras e previsões sobre a costa brasileira e a região da América do Sul nos próximos cinco anos, com operação prevista a partir de 2030.

A iniciativa envolve a Mercator International, organização sem fins lucrativos especializada em previsão oceânica. O projeto pretende reunir dados de várias fontes e disponibilizá-los gratuitamente para pesquisadores, governos e a sociedade civil, com foco em monitoramento ambiental e gestão de atividades marítimas.

O Inpo firmou um acordo de intenção com a Mercator e já coordena a coleta de dados para o Atlântico Sul. O financiamento deverá vir de recursos da União Europeia, do Brasil e de patrocinadores, conforme informações de executivos envolvidos.

O que é e como funciona

A plataforma da Mercator capaz de monitorar o oceano utiliza 30 variáveis, atualizadas a cada dois minutos. Dados são gerados por bilhões de pontos, entre boias, satélites e embarcações, somando dezenas de bilhões de informações ao longo do tempo.

O sistema já opera com cerca de 500 mil usuários anuais em todo o mundo, enquanto, no Brasil, há quase 3 mil usuários registrados. A tecnologia é desenvolvida há décadas e já sustenta serviços oficiais de monitoramento oceânico na Europa.

Contexto e impactos previstos

O gêmeo digital deverá permitir rastrear rapidamente áreas com lixo plástico, simular impactos de atividades como a mineração submarina e otimizar rotas navais para reduzir combustível. Além disso, facilita avaliações sobre erosão costeira e leitura de cenários de desastres.

O projeto é visto como ferramenta estratégica para pesca, energia, portos e transporte marítimo, ao oferecer subsídios para políticas públicas alinhadas à ciência oceânica. O Inpo destaca que o uso brasileiro dependerá da estratégia institucional adotada.

O Instituto participou da Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências, no Museu do Amanhã, no Rio, com o tema Oceano do Amanhã: ciência para um planeta em equilíbrio. O encontro internacional segue até 7 de maio e reúne especialistas para debater os oceanos na Década da Ciência Oceânica da ONU.

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