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Brasil, berço de grandes invenções, estagnou em inovação

Brasil acumula inventos relevantes, mas não os transforma em inovação econômica; gargalos vão de financiamento e transferência universidade-empresa a ritmo de avaliação de patentes

Santos-Dumont e seu 14-Bis: era de ouro da inovação
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  • O Brasil teve participação histórica em invenções, desde Santos-Dumont até o actígrafo usado pela Nasa em Artemis II, destacando a relação do país com inovações diversas.
  • Pesquisadores afirmam que o país hoje tem lampejos de inventividade, mas gera menos inovação com valor econômico e fica atrás de potências como Taiwan, China e Coreia do Sul.
  • O Índice Global de Inovação 2025 aponta o Brasil na 52ª posição, enquanto Suíça, Suécia, Estados Unidos, Coreia do Sul e Singapura lideram o ranking.
  • O Instituto Nacional da Propriedade Industrial informa que, em 2025, houve 29.557 pedidos ativos de propriedade industrial, 13.624 patentes concedidas e o tempo médio de análise é de 4,3 anos, com meta de reduzir para dois anos.
  • Dados apontam que patentes estrangeiras representaram 80,4% dos depósitos de invenção em 2023; universidades também aparecem entre os principais depositantes, mas a transferência para a indústria continua lenta.

A reportagem atual aborda o histórico de invenções e de inovação no Brasil, destacando contribuições de brasileiros para a tecnologia mundial e o desafio de transformar conhecimento em produtos comercializáveis. O texto reúne exemplos desde o início do século XX até recentes avaliações de patentes, apontando sinais de avanço e entraves.

Na história, nomes como Santos-Dumont aparecem associados à aviação, enquanto Landell de Moura testou um rádio com alcance entre a Paulista e Santana. Em 1932, Araripe e Lehly venderam à GM o primeiro câmbio automático movido a fluido hidráulico. Em 1709, Bartolomeu Lourenço de Gusmão apresentou o Passarola em Lisboa. No início dos anos 1990, Nicolai criou o Bina, para identificação de chamadas telefônicas.

Mais recentemente, a NASA teria utilizado o actígrafo, invenção brasileira da startup Condor Instruments, para monitorar movimentos dos astronautas na missão Artemis II. O dispositivo registra o estado de repouso de membros no espaço, onde não há referência de dia e noite. Essas informações, ainda em fase de divulgação, elevam o debate sobre a presença de inovação brasileira em cenários de ponta.

Entretanto, especialistas apontam que nem todas as invenções tiveram impacto econômico. O pesquisador Thiago J. Soares, do Insper, ressalta lampejos de capacidade inventiva, mas afirma que o Brasil ficou atrás de parceiros globais em inovação. Segundo ele, países como Taiwan, China e Coreia do Sul avançaram, enquanto o Brasil permanece em posição mais distante.

Dados do Índice Global de Inovação 2025 apontam liderança mundial para Suíça, Suécia, EUA, Coreia do Sul e Singapura, com o Brasil na 52ª posição. A análise destaca que o país mantém estoque relevante de patentes acadêmicas, mas tem dificuldades em convertê-las em valor econômico.

A geração de patentes envolve dois tipos — invenção e modelo de utilidade — com prazos de proteção de até 20 e 15 anos, respectivamente. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) informa que, em 2025, houve recorde de pedidos ativos de patentes, marcas e programas de computador, com crescimento em relação a 2020. A meta é reduzir o tempo entre depósito e decisão para cerca de dois anos.

Atrasos e gargalos afetam a saída de soluções da pesquisa para o mercado. Dados indicam que depositantes estrangeiros representaram grande parte dos depósitos de patentes de invenção em 2023, com Estados Unidos e China entre os principais. No Brasil, universidades aparecem como destaque, respondendo por grande parte dos depósitos, o que revela uma mudança no perfil dos inventores ao longo das últimas décadas.

Especialistas apontam que a transferência de conhecimento da academia para empresas permanece lenta. A baixa articulação entre universidades e setor privado, aliada a dificuldades de financiamento e burocracia, dificultam a transformação de pesquisas em produtos de alto impacto econômico.

Ao analisar o panorama, o debate mantém o foco na necessidade de políticas públicas que incentivem a inovação de alto valor. Autoridades e pesquisadores enfatizam que o Brasil não carece de criatividade, mas de mecanismos para converter ciência em negócios escaláveis, com investimento privado e captação de recursos para manufatura e riscos associados.

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