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Imagens do Ártico profundo mostram espécies raras; veja vídeo

Imagens do fundo do Ártico revelam 478 organismos em atividade natural, incluindo narvais; estudo destaca monitoramento autônomo e mudanças climáticas

Espécies nadando em frente à câmera instalada no Oceano Ártico — Foto: Evgeny Podolskiy et al.
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  • Pesquisadores da Universidade de Hokkaido e da Universidade de Kyoto registraram espécies profundas no Atlântico Norte, a cerca de 260 metros de profundidade, em um fiorde glacial de Inglefield Bredning, Groenlândia, com vídeos gravados por uma câmera subaquática sincronizada a um hidrofone.
  • O sistema permaneceu quase não invasivo, com vídeos de 10 minutos a cada 20 minutos por cerca de três dias e o hidrofone registrando sons durante toda a semana.
  • No total, foram identificados 478 organismos em pelo menos onze grupos taxonômicos, sendo 88% Amphipoda, Copepoda, Hydrozoa e Chaetognatha; também foram observados camarões decápodes, ctenóforos, heterópodes, peixes-caracol e narvais.
  • Observações destacam comportamentos como nado lento para trás de peixes, fuga rápida de copépodes ao se chocarem com a linha de amarração e a presença de narvais vocalizando enquanto a presa passa pela câmera.
  • O estudo aponta o potencial do monitoramento vídeo-acústico autônomo para entender o fundo do Ártico, destacando a necessidade de automatizar a análise de imagens com inteligência artificial.

À Groenlândia, pesquisadores registraram imagens de fundo do Ártico que mostram animais vivendo naturalmente em profundidades extremas. O material faz parte de um estudo conjunto da Universidade de Hokkaido e da Universidade de Kyoto, publicado na PLOS One.

O monitoramento utilizou câmera subaquática sincronizada com um hidrofone, instalado a cerca de 260 metros de profundidade, num fiorde glacial de Inglefield Bredning. O objetivo é observar comportamento sem interferir no ecossistema.

O sistema foi projetado para ser pouco invasivo. Incluía câmera, gravador acústico, sensores oceanográficos e luzes LED vermelhas, escolhidas para não atrair cetáceos de mergulho profundo.

A câmera gravou vídeos de 10 minutos a cada 20 minutos por cerca de três dias; o hidrofone operou durante toda a semana. Tudo cabia em uma caixa de transporte com menos de 15 kg, facilitando instalações remotas.

Ao todo, foram identificados 478 organismos, distribuídos em pelo menos 11 grupos taxonômicos. A maior parte — cerca de 88% — pertence a Amphipoda, Copepoda, Hydrozoa e Chaetognatha, típicos da zona hiperbêntica.

Entre as espécies, há camarões decápodes, ctenóforos, heterópodes, peixes-caracol da família Liparidae e narvais. Os autores destacam a presença de narvais próximos ao equipamento em alguns registros.

Segundo Evgeny Podolskiy, pesquisador responsável, os vídeos revelam movimentos variados: peixes nadando para trás, copépodes fugindo rapidamente, vermes-flecha se locomovendo e anfípodes em alta velocidade.

Observações chamaram atenção pela resposta de copépodes ao contato com a linha de amarração da câmera, com saltos rápidos. A reação reforça o potencial de uso de monitoramento autônomo para entender o comportamento em ambiente profundo.

Entre os registros curiosos está um peixe-caracol que pareceu nadar para trás durante a deriva de correntes, permanecendo imóvel por cerca de 16 segundos antes de desaparecer. O estudo confirma a diversidade de comportamentos sob o gelo.

Os hidrofones registraram vocalizações de narvais quase todos os dias do experimento. Em uma gravação, houve simultaneidade entre sons intensos e o movimento de uma presa diante da câmera, sem contato direto com o equipamento.

A pesquisa também documentou a chamada neve marinha, um conjunto de partículas orgânicas em suspensão que se move com as correntes. As marés do fiorde influenciaram direção e velocidade do fluxo dessas partículas.

As oscilações das marés, de cerca de 12 horas, foram associadas a variações no movimento dessas partículas. Em períodos de corrente intensa, formam-se vórtices próximos ao fundo.

O estudo destaca a relevância ecológica dos fiordes glaciais como centros de produtividade. A água de degelo transporta nutrientes que alimentam cadeias que sustentam aves, focas e baleias.

Os autores ressaltam que espécies observadas já são presas de focas e narvais na região, sugerindo que o fundo marinho pode contribuir para o ecossistema local. A pesquisa aponta o potencial de monitoramento vídeo-acústico autônomo.

A investigação evidencia ainda o custo e a logística desafiadores de observar diretamente o fundo do Ártico, fortalecendo o potencial de abordagens compactas. Futuramente, a automatização por IA pode acelerar a análise de milhares de vídeos.

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