- Estudo publicado no Public Health Reports com mais de 1.500 adultos entre 30 e 70 anos associa maior uso de redes sociais a maior solidão, especialmente quando as conexões são com pessoas que nunca se encontraram.
- O autor principal, Dr. Brian Primack, afirma que ter mais amigos próximos online não reduz a solidão; não está claro se a solidão leva a mais contatos online ou vice-versa.
- Limitação da análise: não é possível estabelecer causalidade; pode haver influencia de ambos os sentidos.
- O relatório cita que, segundo o Surgeon General de 2023, metade dos adultos se sente solitária, descrevendo o problema como epidemia.
- Recomendações para reduzir a solidão: buscar amizades presenciais por meio de clubes, eventos culturais, voluntariado e evitar uso passivo das redes; usar as plataformas de forma a manter contatos relevantes.
O estudo publicado no Public Health Reports aponta que o uso de redes sociais pode não fortalecer amizades e, em alguns casos, aumentar a sensação de solidão entre adultos. A pesquisa analisou mais de 1.500 americanos com idades entre 30 e 70 anos e concluiu que conexões online com pessoas que não foram encontradas pessoalmente estão associadas a maior sensação de isolamento.
Conduzido sob a coordenação do Dr. Brian Primack, professor de saúde pública da Oregon State University, o trabalho ressalta que interações digitais não substituem o convívio presencial. A conclusão é baseada na comparação entre diferentes formas de socialização e seu impacto emocional.
Limitações destacadas pelos autores incluem a incerteza sobre a direção da relação entre solidão e contatos online: se pessoas solitárias buscam mais interação virtual ou se a interação online aumenta a solidão. A equipe aponta que ter amigos presenciais costuma reduzir o sentimento de isolamento, diferente do que ocorre com amizades formadas principalmente pela internet.
Perspectivas e interpretações
Entre especialistas consultados, a psicóloga Melissa Greenberg ressalta que atividades presenciais são importantes para reduzir a solidão. Ela sugere participação em clubes, eventos culturais ou atividades comunitárias, além de incentivar o distanciamento do celular durante encontros presenciais.
De acordo com a pesquisadora, amizades costumam nascer de interesses comuns; por isso, atividades locais podem facilitar novas conexões. Ela também recomenda questionar e elogiar, como forma de iniciar conversas que possam evoluir para novas amizades.
Orientações práticas para quem busca ampliar vínculos
Se houver uso de redes sociais, a orientação é priorizar o contato com pessoas próximas e manter mensagens ativas, em vez de consumo passivo. O uso ativo — publicar, comentar e enviar mensagens — é considerado menos prejudicial para a maioria das pessoas.
Primack reforça a ideia de que vale a pena refletir com quem se interage online e avaliar a continuidade dessas conexões. A pesquisa também sugere que o afastamento da solidão passa pelo fortalecimento de vínculos presenciais, com menos dependência de dispositivos.
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