- O novo Código de Ética e Conduta dos Nutricionistas, publicado no fim de abril, gerou revolta entre parte dos profissionais e levou o Conselho Federal de Nutrição (CFN) a suspender o lançamento oficial da normativa.
- Entre os acertos, o documento restringe o uso de títulos de especialidades não reconhecidas pelo CFN e proíbe divulgação de “antes e depois” como propaganda, incluindo resultados gerados por IA.
- A regra de consentimento para postar fotos, vídeos ou depoimentos enfatiza a relação de confiança entre profissional e paciente, evitando explorar o corpo como vitrine.
- Pontos de críticas incluem tratar exames clínicos e gráficos no mesmo pacote das imagens corporais e gerar insegurança sobre como comunicar pesquisas científicas sem risco de propaganda.
- A discussão continua, com intenção de melhorar a comunicação ética, fortalecer a prática profissional e reduzir desinformação, mantendo o foco na ciência e na proteção dos pacientes.
O novo Código de Ética e Conduta dos Nutricionistas, divulgado no fim de abril, provocou revolta entre parte dos profissionais. O CFN chegou a suspender o lançamento oficial da norma após a repercussão negativa.
O documento regula a conduta na prática da nutrição e busca evitar uso indevido de títulos, especialidades não reconhecidas e divulgação de resultados “antes e depois”, inclusive com IA. A avaliação pública foi de que alguns pontos são polêmicos.
O CFN indicou que continuará aberto ao diálogo com a categoria para revisões. Enquanto isso, cresce a atenção sobre como a comunicação deve ficar mais responsável, especialmente em redes sociais. O objetivo é reduzir promessas enganosas.
Pontos positivos
A norma propõe impedir títulos e especializações inexistentes que confundem o público. Também restringe a divulgação de resultados de pacientes ou de terceiros em campanhas, mesmo com autorização, incluindo imagens geradas por IA.
A proibição de fotos de “antes e depois” já era prática anterior, mas segue sendo motivo de debate entre profissionais, pacientes e plataformas. A regra vale tanto para terceiros quanto para o próprio nutricionista.
O texto ressalta a importância do consentimento para postar fotos, vídeos ou depoimentos, reconhecendo a relação de confiança entre profissional e paciente. Em muitos casos, há vulnerabilidade envolvida.
O que de fato merece revisão
O código agrupa exames laboratoriais, gráficos clínicos e marcadores com imagens corporais, o que gera dúvidas sobre diferenciação entre divulgação técnica e propaganda. Dados clínicos não devem se confundir com estética.
Em muitos casos, a comunicação científica envolve provas anonimizadas. A norma não pode inibir a divulgação responsável de evolução clínica, como controle glicêmico ou lipídios, apenas por serem dados.
Há ainda receio de que, ao ser muito amplo, o código gere insegurança para quem busca informar pesquisas com ética. Profissionais devem ter clareza para debater evidências sem se restringirem ao silêncio técnico.
Em relação à crítica pública a condutas de colegas, o código veda ataques, mas a prática científica exige questionar técnicas com embasamento sólido. O CFN sinalizou disposição para novas discussões.
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