- Aparece o interstício como um terceiro sistema circulatório, conectando espaços entre pele, órgãos e tecidos, além dos sistemas cardiovascular e linfático.
- A ideia se solidificou após estudo de tatuagens na pele, em que partículas de tinta chegaram a espaços intersticiais abaixo da pele e ao redor de órgãos.
- Espaços intersticiais podem explicar como células tumorais chegam à circulação, contribuindo para metástase, e estão ligados a doenças inflamatórias como a colite ulcerativa.
- Pesquisas em animais sugerem que, próximo aos depósitos de gordura, células do interstício podem gerar células de gordura saudáveis, o que se relaciona à prevenção de diabetes tipo dois.
- Existe potencial terapêutico: a droga narmafotinib mostra promessa em ensaios iniciais ao impedir que células tumorais invadam o interstício, especialmente quando combinada com quimioterapia.
O que se sabe sobre o corpo humano ganhou uma nova leitura com a descoberta de vias intersticiais conectando pele, tecidos profundos e órgãos. Em estudos publicados em 2018 e 2021, pesquisadores mostraram que o interstício pode formar uma rede ampla, além dos sistemas circulatório e linfático.
Essa rede, denominada interstitium, surge em espaços entre a pele, tecido conjuntivo e órgãos abdominais, sugerindo uma circulação de fluidos ainda não reconhecida. A descoberta derrubou a ideia de camadas isoladas no corpo humano, apresentando uma visão mais integrada.
A revelação ocorreu em pesquisas lideradas por Neil Theise, da New York University, e Rebecca Wells, da University of Pennsylvania. Os resultados indicam que o interstitium pode atuar como um terceiro sistema circulatório, influenciando saúde e doenças.
Possíveis implicações e aplicações
Dados preliminares apontam que o interstitium pode ter papel na formação de adipócitos saudáveis em resposta ao ganho de peso, o que poderia impactar a prevenção de diabetes tipo 2. Estudos em animais sinalizam caminhos para novas terapias.
Outros relatos sugerem que ligações intersticiais podem explicar, em parte, quadros de doença inflamatória intestinal e danos às vias biliares. A ideia é que células imunes e bactérias migrem pelo interstício até o fígado.
Há também evidências que relacionam o interstitium à metástase, uma vez que células tumorais podem percorrer esse espaço antes de alcançar a linfa. Pesquisas recentes exploram fármacos que interrompem a invasão nesse caminho.
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